domingo, 9 de agosto de 2026

Ah as férias

 09/08/2026
 nem nada...

  Depois de uma senama de algarviada, com vento, água do mar muito pouco típica, uma constipação trazida de casa para largar, mas que deu para purificar mantendo aquele regime certinho sem asneiradas à moda do verão, é hora de rumar a terras do alentejo.
  Passagem por casa para apanhar a bicicleta e bota o corpo no campo, agora sim, para uma semana com tudo a que se tem de direito.
  É hora por isso de gastar os créditos ganhos. É hora por isso de saborear as medalhas ganhas.
  Descanso puro que o corpo precisa e a alma agradece. Haja ar puro, água fresca, papo para o ar, acordar quando o corpo quiser, sonecas quando apetecer, muita e boa comida, melhor bebida, fruta colhida directamente da árvore e claro, até um docinho de sobremesa se assim apetecer.
  Esta é uma semana sem conceitos nem preconceitos e leva-se tudo o que se deseja bem a preceito.
  A carne, o peixe, as leguminosas, a fruta tudo do melhot. O vinho e as sobremesas sem ficarem atrás.
  Mas vai daí e cometo um sacrilégio: um daqueles a que não me costumo dar e deixar enganar assim facilmente.
   Trouxe, sim porque sabia de antemão que já não havia cá, um espirituoso na mala. um moscatel de Favaios. E se bem sei eu que moscatel é de Setúbal (na realidade bem mais para os lados de Azeitão, Palmela), daquelas terras onde pedalo sem fim tantas vezes à beira de tantas vinhas que lhe dão o corpo para engarrafar, trouxe este de terras longincuas do Douro.
  Não é a mesma coisa. Pois não é. Que me perdoem os favaienses, os produtores do Douro, e toda a facção defensora da região norte vinicula e não só, mas moscatel.... moscatel é roxo e é de Setúbal!

 



Mas isto tem história. Claro que tem. Tudo tem história. É isso que enriquece qualquer experiência, qualquer momento, qualquer vivência.
Diza eu no inicio "é por isso hora de saborear as medalhas ganhas".
E esta, este moscatel de Favaios, representa a temporada toda que agora terminou dando o merecido descanso e repouso a este parco atleta.
Pois a história conta-se assim, de um Granfondo que até foi de outro ano que não este, mas que representa perfeitamente todos outros tantos desafios do presente.
 Dava-se por altura de maio, num domingo chuvoso para os lados do Douro, mais propriamente de Peso da Régua.
Pela circunstância do Granfondo do Douro, desloquei-me até essa localidade e tomei o desafio a braços (neste caso, mais a pernas, pois trantando-se de uma prova ciclistica, é bem mais adequado assim nomeá-la).
Como dizia e como disse num post calendarizado por essa data, chuvia copiosamente quando chegou a divisão de percursos dessa prova: Para os 140 km, seguir em frente e para cima, com um céu negro como pano de fundo. Para o Médiofundo, virar à direita e descer (quase) de regresso até ao ínicio.
E nisto, uma espanhola na casa dos seus quarentas e muitos, pedalendo lenta mas vigorosamente, respondia à minha dúvida momentanea, que afinal também era a dela: "me arrempendo después", frase que nunca mais esqueci para a vida!
E segui a direito.
Essa prova representa muito em mim o que é um esforço, uma prova de superação e até por aquela demonstração de determinação em espanhol, que está em mim mas que às vezes é necessário ouvirmos, vermos de outros e tomarmos como nossa. Foi um tónico fundamental.
Mas e o moscate? onde entra em tudo isto o Favaios?
Pois bem, nesta prova em que cada subida tem cerca de uma hora de esforço e contam-se como quatro as que têm que se superar, é na terceira ou na quarta (já não me lembro bem), que se passa em Favaios (ou perto), nessa região tão demarcada do Douro pelo moscatel, tão reconhecida em todo o Portugal.
E por entre o aglomerado e numeroso público que se fez presente nas margens da estrada para incentivar quem passa, há um que se assoma a cada ciclista que consegue acompanhar, com um garrafão pelo braço e copos na mão, oferecendo espirituosidade a quem vem de espirito retorcido e corpo mais ou menos mancado.
Lembro-me tão bem de sorrir com esta alegre oferenda, com esta boa disposição e de negar com aquela vontade de quem diz "ficava aqui e bebia-o todo contigo a rir e a celebrar esta festividade que é uma prova ciclistica que passa nestas pequenas, tipicas e lindas terras do nosso Portugal".
Mas havia que pedalar. São estas medlahas que se ganham prova após prova: a superação ante o sacrificio, a privacão ante o desejo.
Então agora sim, as férias e a hora de desfrutar de todas as medalhas ganhas, em que o sofrimento dá lugar a recompensas conquistadas, aos prazeres também eles parte integral da vida.
Um à parte: não que durante todo o ano não haja aqui e acolá prazres gastronómicos e derivados, claro que há. Mas agora têm este sabor, esta descomplexidade, este guolty plesure sem preconceitos.
Pois venha de lá este moscatel (bem que preferia o outro mas...) e tudo o que a terra, o mar e o ar têm de bom para nos dar.
Boas férias. Viva o descanso.


  

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Ressuscitar um dia depois

 26 julho 2026
 Ciclismo

  Foi visivelmente cansado que cheguei a casa no sábado. 
  Sentir o organismo a dizer "hoje não dá mais" é algo que tem que se escutar. Até porque mesmo que não se escute, não dava mesmo para dar mais.
  Não há assim nada específico que possa explicar isto senão duas noites de sono pouco e mal dormidas.   
  Não a da véspera mas nos dois dias imediatamente anteriores.
  Assim neste cenário, foi uma tarde para recuperar com descanso, hidratação e alimentação sem nada de especial (um cozido ao almoço abriu as hostelidades, custando-me resistir à tentação do tinto. Mas resisti).

   No domingo previa dificuldades e um recolher a casa talvez mais cedo, se estivesse de facto a ser demasiadamente penoso e até porque, lá está, há que dar ouvidos ao corpo.
   Curiosamente senti-me renovado. Um acordar normal, com as pernas ainda ligeiramente entorpecidas, mas nas pedaladas a coisa foi-se dando.
   Não sei se pelo ritmo mais tranquilo no primeiro terço da volta, se pelo cozido, se pela companhia, mas senti em bom estar e pedalar.
   Às vezes é assim, morto num dia, ressuscitado para novo no outro. E às vezes não há ciência que explique tudo.
   Para despiste, tenho que testar outro cozido de véspera

quarta-feira, 22 de julho de 2026

A temporada já vai longa

 19/07/2026
 Ciclismo 

  Sem grandes dramas. É um bom sinal.
  E ete domingo foi dia de uma volta ligeiramente maior com 135 km a bater na chapa. 
  Muito boas sensações, melhores mesmo que na prova da semana anterior, excepto no final onde paguei um pouco a factura de ter carregado mais na frente a mamnhã toda.
   




 
    Quanto à temporada em si, está de facto para terminar. Já cheira a férias. 
    Mas ao mesmo tempo que já (quase) se anseiam por elas e por tudo o que elas trazem, também há uma espécie de ansiedade em parar estes ciclos. Há sempre vontade de continuar a pedalar.
    Mas como tudo o que é ciclo tem o seu fim, este está então a terminar e depois há-de iniciar outro.
    Comparativamente com os profissionais, essses seguem a temporada até outubro, novembro. Mas para mim, enquanto mero praticante, isso nãio faz sentido. 
   Não faz porque as férias fazem aquela pausa maior e logo se há pausa maior, pára-se, finda-se. E não há pausa como esta em novembro ou dezembro ou janeiro. 
   Sim, a época termina no verão.
    Se não és pro e vais de férias, considera que a tua época terminou e deixa de te armar em profissional e dizer o que o profissional diz (entre outras coisas...).

    Mas venha de lá ainda mais uma volta domingueira sff 
    

quarta-feira, 15 de julho de 2026

4ª Classica Porto de Mós

 13 julho 2026
 Ciclismo

  Foi adiada. Não foi na data anunciada por motivos de segurança, dadas as elevadas temperaturas que assolaram o país naquela data.
  Foi este domingo passado.
  Pois é. Aqui está uma prova de estrada para variar.
  Apareceu do nada no feed de rede social. Dei uma espreitadela e logo fiquei convencido.
  Uma boa distância, um bom preço, relativamente perto de casa, poucos participantes (máximo 150 para a Clássica e igual máximo para a meia, e ainda mais uns poucos para Gravel).
   Mveu-se a rapaziada e fomos de véspera. 
   A prova foi irrepreensivelmente agradável. O percurso muito bem desenhado e por estradas secundárias (todas abertas ao trânsito regular), com muito staff nos cruzamentos a controlar, bons pontos de abastecimento, um secretariado funcional e muita informação via e-nmail.
  Ainda tivemos direito a banhos e a um repasto de sopa, bifana, bebida e fruta no final.
  
  Em termos técnicos, nada de especial a assinar. Apenas a chuva que caiu copiosamente por alguns momentos, criou a dificuldade normal desse acontecimento. 
  Em termos físicos, não se pode dizer que tenha sido dificl mas também não foi fácil. Zonas muito rolantes salpicadas por um topo aqui e acolá e umas subidas curtas mas acentuadas para quebrar o ritmo e as pernas.
  





    Parabéns aos organizadores https://www.facebook.com/FuasBikeTeam que demosntraram que com 25 eur de inscrição se consegue ter uma prova espectacular com tudo e mais alguma coisa, num ambiente amistoso e afável.
   Esta é para repetir.

domingo, 21 de junho de 2026

Pré-treino Porto de Mós

 21jun2026
 Ciclismo

  Regresso às terras do costume e já para preparar uma prova que apareceu no calendário e tem o seu interesse:
  - a começar pelo preço justo
  - iniciativa privada de grupo associativo (há que incentivar este tipo de iniciativas e esforços alheios)
  - boa distância e altimetria
  - relativamente (relativo) perto

  Com o calor a apertar, depois de uma semana dificil em virtude de um exame com esvaziamento grande, jejum e adormecimento e ainda uma véspera cansativa em festividades familiares, confesso que estava curioso para saber como o corpo ia reagir a esta tirada que obrigava a duas subidas à serra e ver ainda se a Estrela trazia algum predicado positivo ou adverso.
  Cá montei uma volta o mais semelhante possivel ao que a prova vai trazer.
  De facto, no que às pernas diz respeito, pareceu-me que tudo esteve lá. Sem carregar muito nas subidas ao alto e com um esticãozinho aqui e ali pouco significativo, não foram as pernas que se queixaram. Foi mais o cardio, mas nada de grave. 
   Algumas boas sensações e vontade de pedalar. Foi bom ter um grupo junto novamente. Deu para colocar a conversa em dia.

   




   Falta muito para ser domingo outra vez?

sábado, 13 de junho de 2026

Estágio Serra da Estrela 2026 - Dia 3

 13/06/2026
 Ciclismo

  Último dia de pedal e simplesmente para recuperar dos anteriores.
  Uma volta desenhada à pressa e em cima da hora de saida, sem atirar para as principais subidas, pelo que restava somente por isso seguir numa única direcção.
  Boa estrada, boa metereologia (a anunciada hipotese de trovoada e céu nublado e chuviscos não aconteceu. Passou ligeiramente ao lado)
  Inicialmente as pernas pareciam não estar, mas aos poucos num ritmo bem moderado e sem correrias, a coisa começou a fluir e no final até soube a pouco.
  A garrafa de vinho tinto de véspera ajudou a anestesiar.
  Pouco menos de 2 horas, pouco menos de 50 km e pouco mais de 500 m de altimetria serviram para deixar a sensação que está tudo bem.





  O resto do dia passado tranquilamente em sintonia com o pulsar da própria vila, soube muito bem e fpo tónico para a restante recuperação, de tal forma que há vontade de pegar na montada e seguir pedalando.
  Isso só por si diz tudo.
  Boa comida, boa bebida, ar puro, bom tempo.
  Talvez o ano em que a conjugação de factores mais favoreceu este estágio. Perfeito? Não. Ficaram a faltar umas acomodações ligeiramente mais agradáveis, especialmente ao que a inquilinos diz respeito (porque de facto as pessoas já não sabem ter respeito e neste apartado, foram os turistas estrangeiros quem melhor lição deu, com os portugueses a serem uma....praga!

   Parto com saudades de regressar.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Estágio Serra da Estrela 2026 - Dia 2

 12/06/2026
  Ciclismo

  Dia 2 e no programa mais do mesmo. 
  A rota desenhada, depois de umas quantas opçóes estudadas, recaiu na mesma do dia anterior mas em sentido contrário.
   O dia apresentou-se mais quente e deu para perceber logo na hora da saida pois nem uma fresquinha de arrepiar aquele pêlo mais superficial do braço se fez sentir.
   A subida do Vale Glaciar, uma das minhas preferidas, hoje custou um pouco mais que o habitual. E depois de comparados os dados com outras datas, confirma-se.
  Já pelo seu lado, a descida foi uma das melhores, o que só entendo à luz das boas condições climatéricas pois nem sequer fui a fundo (nem perto disso).
  À parte desse registo, a beleza desta subida impressiona sempre. Este vale e este maciço central deixam-me sempre perplexo e diminuto ante tamanha grandeza da serra mãe do nosso país.
  Esta serra que não deixa nada por mãos alheias, que castiga, fustiga, trucida os incautos e os afoitos, bem preparados ou nem tanto, mas todos se vergam nas suas vertentes. Ela torce-nos, mastiga-nos e diverte-se com isso, imponente, forte e autoritária, mostrando que quem manda é ela.
  No entanto, quando ao topo chegamos, abre os seus braços e recebe-nos calorosamente como que felicitando todos os que passaram pelos seus caprichos, premiando calorosamente num abraço sentido.
  Mas que não nos iludamos pois a qualquer momento é capaz de mostrar o seu feitio. 
  Hoje não foi o caso e mantivemo-nos de pazes feitas descida abaixo.
  Num instante chegava a Seia e daí em diante para Gouveia com o vento a fazer-se sentir de frente, castigando um pouco mais do que se desejava.
  Ia-me acautelando na hidratação e alimentação, mas agora depois de terminada a contenda, garantidamente que deveria ter bebido mais.
  A subida de Gouveia fez moça. Pedia encarecidamente que dispenso a ajuda do vento pelas costas se ele tiver que soprar pela frente também, mas este pacto não se deu e entre o sopro do vento na cara e o calor de se fazer sentir quando ele parava, ia curvando e cotnra curvando subida acima, num deserto de trafego de se ver.
  Estava entregue à estrada e a toda a serra em meu redor.
  Fui abastecendo água onde podia e podia ter abastecido mais numa destas fontes a meio da subida. Erro craço. 
  Menosprezando a distância, acabei a racionar o que lógicamente nunca é bom sinal (e fez-se sentir no esforço maior que o habitual).
  Finalmente chegado ao topo, páro onde o Mondego nasce. Refrescante e pura como mais pura náo pode ser esta água.



   Agora era rolar um pouco para pouco depois descer até Manteigas, desta vez sem o atalho. Estava decidido a realizar a descida original integral.

   No final ficam 104 km para 2.615 de desnivel acumulado numas belas 5h24 em cima da bicicleta.
   Castigador.
  Ficam as habituais dúvidas: a recuperação do dia anterior (nem carreguei no ritmo que justificasse cansaço mas pode ter deixado mazelas), a alimentação do dia anterior (pizza ao jantar, muita pizza), a noite intranquila de sono, o ter subido à Torre antes de tudo o resto (não é muito habitual ppis costuma ser a última demanda das voltas), o vento, o calor, eu sei lá. No fundo, em cima da bicicleta pensa-se muita coisa e faz-se por não pensar em nada para não nos deixarmos levar pelos fantasmas que podem prejudicar desempenhos. 
   Depois fora da bicicleta, pensam-se e analisam-se todas estas coisas e muitas outras mas como é dificil tirar conclusões, eu por mim, sigo adiante.

  EDIT:
  O que foi ao lume:
  
   2 sandochas de paiola
   1 merenda (daquelas que se compram no café, de queijo e fiambre) pois era o que havia de menos mal e sem dar um rim lá em cima no alto da Torre.
   1 banana 
   1 punhado de nozes
   1 fatia de bolo caseiro
   2,5 L de água
   0,75 L de isotónico

    Devia ter bebdio mais água, garantidamente.