quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Medalha de platina!

 Deixo aqui em pequeno texto e com as devidas omissões por motivos que poderão obviamente compreender, aquilo que não é uma história, mas sim uma situação de vida, um caso como tantos há por aí.
  Porque há dias destes. Porque há pessoas destas que o Mundo brota cá para fora e esbarram comigo para me fazer acreditar que quando menos se espera, ve-se gente humana.

   A primeira imagem que guardo deste dia é do Joao Vieira, atleta português que não completou a sua prova nos Europeus de Zurique. Abordado logo ali por uma equipa de reportagem portuguesa, João Vieira chorou copiosamente. E chorou, chorou e mesmo indo ao fundo do seu ser buscar todas as forças que lhe restavam para responder a uma derradeira tentativa do reporter conseguir sacar-lhe uma palavra que fosse, João não foi capaz.
  Não são precisas mais descrições. Basta parar um minuto e pensar no que este atleta estava a sentir.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

É LIXO

 Farto, fartinho de ver. Ele tanto que anda por aí nas estradas e caminhos, de btt ou de ciclismo. Vejo lixo por toda a parte. A pior parte é que algum desse lixo é feito pelos próprios praticantes de ambas modalidades.
  Posso acreditar que um ou outro embrulho de barra energética ou frasquinho de gel, caia do bolso por ter sido mal acondicionado, mas assim só se veriam uns poucos isolados.
 
   A coisa começa logo mal pelos atletas profissionais. Seja em ciclismo, atletismo ou outras praticadas ao ar livre, o atleta fornece-se de liquido ou alimentação e zás: embalagem a voar pelo ar até cair no chão. Está aqui dado o exemplo que depois vejo em provas como maratonas e afins. É vê-los que nem atletas profissionais. Ah e tal parece que estão a disputar o campeonato do mundo e não dá para guardar um papelinho de merda no bolso. É um espectáculo de garrafas de água pelo chão. As organizações de eventos esforcar-se-ão depois por limpar, mas só para além do gesto ser grotesco, haverão sempre embalagens e recipientes que escaparão.
  Isto não se coaduna com desporto, muito menos ao ar livre.
 
  Cada vez que vejo uma grande volta, ou uma pequena, vejo bidons, vejo papeis, vejos embalagens a voar em todas as direcções.
   Não devia ser permitido e deveriam haver multas pesadissímas para os prevaricadores. E antes que me venham já chamar de "verde" ou "puritano" ou o que quer que seja, apenas posso afirmar taxativamente que nenhum argumento válido poderão dar-me que me convença do contrário.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Ainda o ultimo desafio...



...em duas "aguarelas":






terça-feira, 5 de agosto de 2014

Setúbal - Elvas

Eram 4 da manhã e eu acordado que nem um rouxinol a meio-dia pleno de vitalidade. O despertador só estava para tocar às 5. Forcei durante toda essa hora dormir mas sem sucesso. Nem sequer dormitar ou qualquer sonolência que o valha. Nada.
Queria dormir. Sabia que precisava dormir. Espreitava pelo canto do olho a escuridão que entrava pela janela na esperança que esta inspirasse o sono a cair em mim. Nada. Da escuridão apenas o reflexo dos grandes, brilhantes e enormes números que brotavam do relógio-despertador estacionado na cabeceira ao meu lado.
 Tantos dias, todos os dias este companheiro a espetar-me o seu ferrão agudo nas profundas entranhas do mundo mais profundo do meu ser. Nesta manhã frustrei-lhe esse prazer, ainda que contra a minha vontade, e acabei por perceber afinal, que essa ferroada que tanto magoa, trás afinal consigo o doce gosto de quem está tão bem a dormir.
  Dormir? nada ou muito pouco. Factura que viria a pagar até Pegões.

  Antes disso, pouco ou nada. Rendez Vouz com o turtle na penumbra da madrugada, um esgueirar pelas artérias da cidade ausentes de vida, só aqui e ali salpicadas pelas carrinhas de quem anda a ganhar a vida quando todos os outros dormem, e pelos noctivagos que retornavam a casa depois de festividades copofónicas nos bares e afins.

    Turtle ia confidenciando que não dormira senão a partir das 4. Hmmm, inversão? mau presságio. Que tomou comprimidos, que desesperou por se deixar adormecer e que quando isso aconteceu, o seu despertador desferiu tal estocada que quase o deixou fora deste texto. Mas de peito feito à coragem, conseguiu erguer-se da cama.
   O mesmo peito feito atirava-o agora na dianteira. O vento soprava fraco ou quase nulo. A temperatura estava agradável. Poucas nuvens no céu que clareava a cada km que passava e deixava adivinhar um nascer de um Sol enorme, gigante, bem lá ao fundo na nossa frente, bem a nascer lá para onde seguiamos.
    E assim dormi atrás de turtle até Pegões e foi a sua azia de estomago que me acordou. Isso e um café que bebi no unico estabelecimento aberto àquela hora. A azia do outro foi brindada por um pastel de nata, definitivamente a escolha errada se ali estivesse a proteste.

  Acordado agora a pedalar queria antes adormecer. A pedalada fluia e as pernas começavam finalmente a soltar-se. A cabeça que não é de meias vergonhas também e começou a dar aso à sua imaginação. E tão bem que imagina dúvidas. E por essas dúvidas tão bem que preferia antes dormitar.
 
  Vendas Novas, Montemor. Primeira etapa alcançada. Agora começava o verdadeiro desafio. As localidades, os povoados, as pequenas edificações à beira-estrada plantadas desapareciam. Agora eram rectas infindáveis ladeadas por um oceano de Alentejo.
  Os aromas poisavam no topo do nariz e brincavam com o nosso olfacto. Saltitantes e intrigantes, por vezes tão bem definidos, outras vezes dificeis de destrinçar. Cheiros do campo. Cheiros da manhã que a manhã faz despertar.

  A azia está a corroer o turtle por dentro e nem a toque de comprimidos comprados numa farmácia em Vendas Novas, a coisa lá ia. Em Arraiolos o homem implorava por bananas. Subimos ao centro da tapeçaria nacional e no mercado lá estavam as bananas. Três para ele, uma para mim.
  Adiante, regresso à estrada e não vá saber-se eu mais forte e mais robusto que Arraiolos me dá a dor no joelho.
   Agora sim uma caminhada justa para ambos.
   Os próximos km foram torturantes. O cenário de abandono era uma fantasia que se confundia com a realidade. Quanto mais tempo poderiamos aguentar, cada um transportando o seu pesado fardo.
   Não pedalávamos. Algo pedalava por nós enquanto conjecturávamos sobre o carro de apoio que deveria passar por nós mais coisa menos coisa a esta hora. Nada. Se passasse provavelmente significava o abandono. A tempestade era grande.
   Parámos adiante. Mais uma banana para a azia e o já meu habitual diesel plus + (sandes de presunto com coca-cola).
  Levanta-se vento, a Norte chove. Vem na nossa direcção e ja se sentem uns pingos. Começamos a rir. Rimos soltos como soltas estavam as nuvens. Loucos. Estavamos loucos. Só tudo tinha tendência a piorar. O carro de apoio ligara. O apoio virou-se contra os apoiados e os apoiados apoiavam agora o carro de apoio perdido algures no Alentejo. A modernidade da tecnologia fazia das suas. Gps, telemoveis, tanta coisa e afinal os antigos é que sabiam.
  Por tecnologias, a minha também começava a falhar. O garmin que já vinha bem para lá de uma hora pior de que azia e joelhos, apagou-se. O telemóvel deitou-se ao seu lado. A ligação ao século XXI fazia-se agora exclusivamente pela nave espacial de turtle.
 
   Vimieiro. Grito de ordem, rujido de força. Turle passa ao comando. Uma fúria? um desejo incontornável de terminar o que começáramos? o último suspiro antes de...? Certo é que de uma mancha lenta de lava que se arrasta vagarosamente  passamos ao bravio valente de um riacho que corre nas primeiras águas do Outono. Tão rápido, tão saboroso. Mas tão doloroso ao mesmo tempo e mais não doeu porque naquele momento o apoio apareceu. Passou, continuou, continuámos.
   Foi turtle quem me disse que meus dentes estavam cerrados. Era da dor. Pedalava de dor, pedalava de raiva. Esta tormenta que voltara logo neste dia. Ele já não se sentia.
   O mármore ao fundo. Estremoz. Já cheira ao fim, bradava. Mas a caldeira rebentara e a dor agudizara. Subir agora, não muito inclinada mas longa e pesarosa. Era para nós como para um barco sem motor, sem remos, sem vela nem vento, sem eira nem beira.
   Mais devagar. Mais lentos. A cada pedalada mais um martirio, mais uma chaga cravada. Já não me levantava. Não conseguia. A dor doía. Por esse motivo as pernas e o que lhes segue logo por baixo reclamavam. O turtle já não reclamava.

   Ali, adiante. A estrada vira mais à esquerda. Perde-se de vista no topo da colina por entre oliveiras. Depois acaba. Cheira o azeite. Cheira o sabor da vitória. Cheira este abraço.

   Concluimos, acabámos. Uma jornada de horror. Mal desmontado da bicicleta, a certeza que terei de repetir para fazer tudo isto como tem de ser: sem dor, só prazer.

   170km em algo como 06:30h?? não sei. Ficam para a próxima.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Desafio nº 2

 Depois do insucesso de à 15 dias atrás na Estrela, eis que surge o outro projecto.
 Pelo meio um casamento, muito pouco treino e cansaço ao nivel encefalar (existe esta palavra?).

  A tarefa vai ser árdua e começa pelas 06:00h da manhã. Esperemos concluir esta pois a recompensa na meta é do melhor, ou como se diz agora, é top.

   Boa sorte e principalmente boa condição fisica.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

O mau vs O mau

 Em primeiro lugar uma pequena nota:
 O que faz o jornalismo por este mundo fora? A resposta é fácil: desinforma. O jornalismo deveria ser um trabalho de investigação, relato, debate, examinador e questionador. Não o é de todo. Porquê? Porque é comandado e gerido por outros interesses com um unico objectivo de moldar a opinião pública. No que resulta disto? Asneiras.
  Às vezes dou por mim a ouvir as pessoas a falar e é como se estivesse a ouvir as noticias de um qualquer canal (que raramente vejo porque são tão maus os ditos telejornais...).

  Agora está lançado o horripilante carros contra bicicletas. Era mesmo disto que faltava na estrada. Esta pressão nos ombros de cada condutor automóvel ou ciclista vai aumentar a tensão sobre quem é o dono da estrada, quem afinal tem mais direitos que o outro e por aí em diante.
   Os acidentes vão aumentar. Aquelas tipicas arruaceiras de estrada também. A diferença é que os automobilistas agora jogarão do mesmo lado contra os ciclistas e vice-versa.

   Santa ignorância. Era tão fácil pegar neste novo tema que são as bicicletas e fazê-lo intercalar na estrada em sã convivencia com todos os que as utilizam, mas tinham que vir os incendiários provocar o arraial.
 
    E depois como o povão não gosta naaaada de tomar partidos, lá vamos avançar para braços de ferro. As consequências virão do alcatrão. Espero que o menos grave possivel. Tenham juizo.

domingo, 20 de julho de 2014

Desistência

 Assim se sente apenas um pequeno sabor daquilo que é um abandono de uma prova. Imagine-se um Froome, um Contador ou outro que colocam um ano inteiro de preparação em determinado evento e depois numa questão de segundos, ou de detalhe, de uma avaria, de uma lesão, de uma queda, ficam forçados ao abandono da prova. Os momentos seguintes são devastadores.

  Bem não foi concretamente a mesma coisa mas o amargo de boca de não completar um desafio que se quer tanto fazer, de uma preparação mai ou meno que se fez, de uma viagem de 300 km para cima + 300 km para baixo, de uma toda logistica, do até dinheiro que se dispende e no fim, chapéu.

   Acordámos de manhã cedo. Pouco passava das 6h da manhã. Higiene matinal e tudo ali bem ao meu lado no minusculo quarto alugado a poucos km de distância da meta. O dorsal e as burocracias de última hora foram tratadas na véspera logo à chegada a Seia, a roupinha a utilizar, a comida, os apetrechos electronicos, o kit reparações.
   Onde está a serra? Da pequena janela da casa-de-banho apenas se via o seu inicio. Toda a restante paisagem acima estava encoberta por um grande manto cinzento. As condições climatéricas não pareciam assim grande coisa.
   Umas garfadas na massa e siga para o ponto de partida. Grande aglomerado. Pouco mais de 800 participantes ou pouco menos. Muita ansiedade. As dúvidas do momento eram somente sobre a roupinha a usar. Para já calor. Tira o base layer. Vou só de casaco.
  Aparece o rui. Avaria mecânica sem possibilidades de reparação. Um ficava já ali e nem começava a prova.
   Partida. 8:00h em ponto. Começa a chover. Pelotão arranca desalvorado. Antes de sair de Seia já parava para vestir a peça de roupa que tirara.
   Siga para a frente que o carro-vassoura já vem a empurrar. Para Cicloturismo estamos com muita pressa não?? embora compreenda que as estradas estão cortadas para que todos saiam em segurança,não gostei da atitude.
 Aqui e ali mais uns quantos atrasados vão chegando. Rola-se a grande velocidade até começar a primeira das muitas grandes subidas.
   Chove agora copiosamente. À medida que subimos, o corpo vai ensopando. Não há paisagem. Tudo à volta é cinzento.
   A subida continua. A chuva ora abranda ora aperta. As condições são muito más.
  Aos poucos vamos encontrando ciclistas que vêm na direcção contrária. Abandonam logo ali. Dizem que assim não dá.
   Uma hora depois de termos começado a subir e não consigo aquecer. Vai começar a descida. Estou gelado. Sinto aguá por todo o lado do meu corpo mas é no tronco que mais sofro. A descer vai ser horrivel e horas disto até que abra (as previsões indicavam 11:30h da manhã).
   Para mim acabou. Não estou equipado nem preparado nem habituado, nem disponibilizado para este duelo. A tirada só por si já seria um Golias dificil de derrubar. Não necessito do seu exercito a ajudar.
   1 minuto parado e estou enregelado. O turtle vem a sentir efeitos mais tarde ja a meio da descida.
   Não consigo controlar o tremer das pernas. O lábio superior deixa de funcionar e ao falar parecia um "xopinha de maxa". Só 15 km mais abaixo recupero.
    Mais tarde já a almoçar a meio caminho da Torre (que belo almoço) chegaram noticias da "frente". Prova cancelada. Ninguém mais segue. Não há condições.
   Tantos dias com calor, tantos dias assim assim e logo neste tinha que vir esta frente fria..
 
   Hoje saí para uma pequena volta. Foi à bruta. Foi de raiva.
    Novo desafio marcado para dentro de 2 semanas.


   p.s. Não deixa de ser curiosa a cultura ciclistica do norte do país em comparação com o sul. No restaurante após alomoçarmos, ficámos a ver o Tour que estava a dar na Tv. Cá por baixo nunca o vi em qualquer televisão. Pode ter sido somente uma coincidência também.