Ciclismo
Eram 5h00 da manhã quando o despertador tocou e eu salto da cama no segundo seguinte, não porque estivesse disperto e em extase mas sim porque a noite foi tão mal dormida de tal ordem que não estava ali a fazer nada.
Uma hora depois ja pedalava por entre a escuridão da noite. A pequena luz que ilumina para a frente, incialmente montada no guidaor, passou para a cabeça ainda antes mesmo de testar essa primeira forma.
Pareceu-me pouco funcional.
Entrado na estrada principal que ruma para o lado do Alentejo, tudo fica mais seguro e a luz perde a função principal de iluminar o caminho, ainda que o faça, para servir mais simplesmente para me dar a iluminar.
Também optei por uma pequena bolsa presa por debaixo do selim, uma que comprei no tempo do Rei D. Afonso IV e nunca usei. E a falta de uso foi tão grande que está desfeita no fecho eclair, mas serviu para o uso: guardar a ferramenta.
Assim fiquei com mais espaço nos bolsos que foi muito útil para esmagar uma banana contra o telemovel e sujar tudo em redor.
A primeira hora foi saborosa, com algum fresquinho à mistura (optei simplesmente pelo jersey de manga curta), mas com boa vontade de pedalar.
Mas após esse timing, percebi que não era um dos meus bons (ou médio que fosse) dias.
O vento soprava suave de norte, ou seja, de ladecos, o que não ajudava mas também não se pode dizer que prejudicasse....muito.
Muita preocupação em comer e beber permanentemente pois a tirada era grande.
À medida que o dia ia nascendo, a temperatura ia subindo ligeiramente: dos 13,5º graus nos primeiros km, foi-se aos 38,50º ao final da manhã.
Também a não ajudar foi uma dor no rabiosque, na região que assenta no assento (leia-se selim, a palavra foi só pela piada). Uma dor que se tornou largamente incomodativa e me obrigava a pedalar em pé frequentemente ou mais de lado ou mais para a frente ou mais para trás, para acomodar algum alivio na região, mas com muito pouco sucesso.
Não foi agradável.
As terras iam-se passando umas atrás das outras.
Atestei água num bebedouro no Tribunal de Montemor-o-Novo e num café de beira de estrada do Vimieiro, com uma batata frita e uma coca-cola para retemperar forças, mas de pouco valeu.
Numa manhã muito sofrida, acabei por realizar um tempo muito mais alongado que o habitual (muito mais), isto apesar de ainda ter feito o meu segundo melhor tempo de Montemor a Arraiolos e do Vimieiro a Estremoz.
Tendo vindo a sentir-me tão bem nas últimas semanas, não consigo de facto perceber o que aconteceu hoje, ou conmsigo?
- duas noites anteriores muito mal dormidas;
- a brisa lateral;
- a amplitude térmica entre os 13 e os 39º graus;
- o fim de semana anterior com folga ao exercicio e relaxo alimentar e físico;
- fadiga acumulada trazida especialmente de 5ª feira:
E que mais desculpas poderia por aqui colocar.
Mas no fundo o que importa é ter chegado ao destino, ainda que empenado, mas chegado. A recompensa com aquele assado no forno da mamy, levanta qualquer moral.



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