Mais um fim-de-semana de jornada dupla, mas desta feita opto também por dupla de post e os próprios posts com dupla nos titulos. Às vezes o Universo parece mesmo paralelo.
Sábado:
Depois de uma aula de cycling indoor com muita animação, esforço e dedicação, o gang da WSP foi ter comigo ao ginásio e seguimos para rolar outdoor.
A manhã estava belíssima e foi sugerido ir ao alto da Serra. Há que aproveitar antes que fique mais adverso metereológicamente e por isso lógicamente lá fomos.
Uma simples volta acabou por ainda ter os seus momentos e sempre com boas sensações. Um ritmo mais tranquilo no regresso a casa e estava terminada a manhã.
relatos caseiros e feitos à mão sobre maratonas, raids, passeios, provas e outras voltas em BTT, Ciclismo e tudo mais.
domingo, 24 de janeiro de 2016
domingo, 17 de janeiro de 2016
Jornada dupla
16 de Janeiro de 2016
Ciclismo
WSP Ciclismo reunido às 09:00h numa manhã fresquinha para estrear os novos casacos da equipa.
A volta em grupo, tudo pintadinho da mesma cor, era coisa simples de ir e vir ao Espichel, e assim foi.
Ritmo tranquilo sem grandes esfregas, com um puxão ou outro aqui e ali.
Nada mais a declarar.
17 de Janeiro de 2016
Ciclismo
Desta vez a solo.
Mais uma manhã mais fresquinha que a anterior de fazer a pele da cara estalar, mas que abrandou para lá das 11h da manhã.
Pouca gente na estrada.
Só acordei verdadeiramente mais para o final, fazendo em pressão desde a saida de Qta do Anjo até Setubal e foi o momento que melhor me soube.
Ao chegar a casa para o banho quente, vi nos meus olhos a cor da alegria.
Mais intensamente ou mais descontraidamente, adoro isto.
Ciclismo
WSP Ciclismo reunido às 09:00h numa manhã fresquinha para estrear os novos casacos da equipa.
A volta em grupo, tudo pintadinho da mesma cor, era coisa simples de ir e vir ao Espichel, e assim foi.
Ritmo tranquilo sem grandes esfregas, com um puxão ou outro aqui e ali.
Nada mais a declarar.
17 de Janeiro de 2016
Ciclismo
Desta vez a solo.
Mais uma manhã mais fresquinha que a anterior de fazer a pele da cara estalar, mas que abrandou para lá das 11h da manhã.
Pouca gente na estrada.
Só acordei verdadeiramente mais para o final, fazendo em pressão desde a saida de Qta do Anjo até Setubal e foi o momento que melhor me soube.
Ao chegar a casa para o banho quente, vi nos meus olhos a cor da alegria.
Mais intensamente ou mais descontraidamente, adoro isto.
domingo, 10 de janeiro de 2016
alô, alô, Terra chama blog, escuto.
Uma semana que passa, mergulhado nas profundezas do infinito, parte incerta do nada, no escuro frio do vazio,
Mergulho na viagem em direcção a luz, um salto quântico para além do tudo, chegando à tona em cada tecla.
Que escrevo para aqui? são 08:30h da manhã. Dormi 5 horas em vários dias esta semana. Devo estar a alucinar.
Boa semana de treinos a que passou. Boa semana de treinos é o que desejo.
Até já.
Mergulho na viagem em direcção a luz, um salto quântico para além do tudo, chegando à tona em cada tecla.
Que escrevo para aqui? são 08:30h da manhã. Dormi 5 horas em vários dias esta semana. Devo estar a alucinar.
Boa semana de treinos a que passou. Boa semana de treinos é o que desejo.
Até já.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Anonovada
Depois de uma Pascoada em Beja à quatro anos atrás, eis que
por motivos de festividades da vinda do ano novo que se dá a oportunidade de
reeditar uma volta tão agradável quanto útil e necessária. Daí o nome (Pascoada - Ano Novada)
Longe vão os tempos
em que o 31 de Dezembro era sinónimo de folia e exageros pela noite dentro.
Assim depois de um
dia de trabalho, uma viagem até Beja, e uma noite a cozinhar uma bela jantarada
para a malta, estava pronto para a caminha perto das duas da manhã. Não só o
cansaço mas também o enorme desejo de começar o ano da melhor maneira: a
pedalar.
Cegonhas,
Paris-Roubaix, 4 cães raivosos e Muse.
Manhã encoberta mas
para a altura do ano, uma autêntica Primavera. O track saiu invertido. Logo na
primeira virada, segui para a esquerda quando era para ser à direita. Esperemos
que seja a única virada errada do ano. Esta de qualquer forma sem qualquer mal.
Depois de um pedaço
de estrada em obras, veio o paraíso alentejano: os verdes e castanhos fortes,
os sobreiros e oliveiras guardados pelos eucaliptos de beira de estrada faziam
encher as delicias da minha alma e fazer não pensar no joelho (não pensar mas
não esquecer).
Uma invasão de
cegonhas sobre o meu céu e uma enorme que também ela contemplava a paisagem,
pousada numa pequena ponte sobre um riacho, levantou voo em câmara lenta, mesmo
mesmo já comigo tão perto.
Mais adiante um
troço de estrada medonho. Mal uma réstia de alcatrão muito e mal remendado
fez-me sofrer, tal o desconforto que provocou, Afinal o “meu” Alentejo é melhor
do que este. Paris-Roubaix aqui é brincadeira de criança.
Na passagem da
linha de comboio, uma zona bonita, saem 4 pequenos cães numa corrida
desenfreada. Curioso que não vêm na minha direcção. Correm para a esquerda do
meu horizonte saindo de uma quinta do lado oposto. Ladram sem parar. Enquanto
acompanho o seu movimento apercebo-me que a estrada em que sigo vai dar
precisamente ao local para onde correm. Os maganos (como se diz na terra)
atalharam para me esperar.
Na primeira análise
não levantei qualquer preocupação. Quatro perros de pequeno porte e ladrar
agudo, não aparentavam grande ameaça…. até chegar junto deles. Os bichos
estavam raivosos e dois deles faziam perfeitas intenções de o mostrar e
demonstrar, sendo bem visíveis os seus dentes repletos de espuma a menos de
dois palmos da minha perna esquerda. Não tive outro remédio senão fazer um
pequeno pico, um sprint ao estilo de uma meta volante.
A subir para oeste
em direcção à estrada nacional que me traria de volta a casa, sim porque a
primeira volta do ano serviria somente para esticar as pernas, avistei a chuva
ao fundo. Assim como os pequenos cães, fazia-me espera lá mais adiante.
Para ajudar a
encurtar a minha expectativa, levantou o vento de frente claro. Os carros que
nunca cruzei em quase toda a manhã, passavam agora por mim de quando em vez
agora. Os que vinham em sentido contrário ao meu, evidenciavam o que me
esperava.
Era o último duelo.
Felizmente e para terminar uma manhã maravilhosa, tinha preparado uma playlist
a condizer e que havia guardado para o fim caso apetecesse “esticar” um pouco:
Muse nos meus ouvidos! É faca nos dentes e ir à luta de peito feito. Pode cair
o mundo, pode vir a maior subida, pode soprar o vento, ou tudo ao mesmo tempo.
Com Muse nada mais importa quando é para carregar.
Minutos depois
estava em casa. Já não chovia. Foram só umas gotas para dar sentido a “manhã
molhada, manhã abençoada!”. A primeira do ano.
Caramba, como eu adoro isto,
cada vez mais.sábado, 19 de dezembro de 2015
Troia-Sagres, a ressaca
Normalmente após uma grande estopada como o Tróia-Sagres, a sensação de dever cumprido, o cansaço e o desgaste\fadiga natural de quem se mete nestas andanças, causam uma ressaca que por vezes é dificil de digerir.
O sentimento habitual é o da falta de vontade para voltar a assentar o pedaço de carne mole no selim. Uma ou duas semanas podem ser as necessárias até querer-se carregar novamente na talega e pedalar toda a manhã.
No meu caso, desta vez, a ressaca durou apenas o resto do dia.
No domingo ao acordar, estava fresquifofo, e cheio de ganas. Na segunda a mesmissima coisa, terça idem e por aí fora.
Em suma, esta ida a Sagres não me desgastou, se bem que tenha acabado de lingua de fora.
Apenas e só fazer cuidados com umas mazelas e siga para a estrada que a semana foi feita de três treinos curtos.
O sentimento habitual é o da falta de vontade para voltar a assentar o pedaço de carne mole no selim. Uma ou duas semanas podem ser as necessárias até querer-se carregar novamente na talega e pedalar toda a manhã.
No meu caso, desta vez, a ressaca durou apenas o resto do dia.
No domingo ao acordar, estava fresquifofo, e cheio de ganas. Na segunda a mesmissima coisa, terça idem e por aí fora.
Em suma, esta ida a Sagres não me desgastou, se bem que tenha acabado de lingua de fora.
Apenas e só fazer cuidados com umas mazelas e siga para a estrada que a semana foi feita de três treinos curtos.
domingo, 13 de dezembro de 2015
Tróia - Sagres 2015
Ao iniciar estas linhas, estou na dúvida se opto por descrever o dia por um estilo mais evolvente e romântico ou se meramente desportivo.
A melhor maneira é deixar fluir.
E porque o começo é sempre no principio, nada melhor do que as palavras de quem "começou" este movimento. Sim porque o Tróia-Sagres já só pode ser considerado assim mesmo: um movimento!
Então diz Malvar:
“Nunca tinha visto uma coisa assim”... “ultrapassou em muito os 5.000” participantes"....
E no sábado começou às 4:45h da manhã quando depois de pouco mais de um par de horas dormidas o despertador tocou.
Perto das 06:00h da manhã, ainda noite cerrada, dá para começar a sentir o pulsar de tudo o que este dia significa.
Não há taças nem troféus. Não há linha de partida, nem tiro de partida, nem partida.
O barco apita. Está cheio. Carros, autocarros, carrinhas, ciclistas por todo o lado. O Ferry não leva nem mais um capacete. Alguns já não cabem. Têm que esperar o próximo. Por um par de luvas esquecido (já abandonando o meu veiculo de apoio) falho o embarque.
Fico dentro do carro uma hora à espera da próxima embarcação.
A zona de acesso ao próximo Ferry volta a encher. É a segunda leva para os que partem de Setúbal. Muitos são os que se juntam do lado de lá.
Dentro do barco, acotovelam-se conversas para amenizar o frio. Não que a manhã esteja propriamente invernosa. Nada disso. Em Dezembro seria impossivel pedir melhor. Se calhar, o frio é do nervosismo ou da excitação, ou de ambos.
Dentro do carro vou observando enquanto mastigo um reforço do pequeno-almoço. Consigo ouvir os mais exuberantes. Consigo ouvir os mais apreensivos que nada dizem e pensam na sua sorte para as próximas horas.
O desembarque faz-se rápido. As bermas da estrada estão cheias. Não há meio metro vago. Ciclistas e mais ciclistas trocam o transporte motorizado pelo seu veiculo a pedal. Parecem caracóis a sair para a estrada numa manhã fresca de orvalho na Primavera. Milhares!
Já não é noite. Gosto de partir de noite. Mas quem vem no segundo barco já não vê quão bonita fica a peninsula iluminada a pequenas luzes encarnadas intermitentes e intermináveis até perder de vista. é uma visão que se dilui quando apenas e só o Sol decide raiar por cima dos campos de arroz da Comporta e reflectir o seu esplendor nas poucas nuvens lá no alto.
Na agitação dos que vêm e dos que já lá vão, formam-se grupos. Enxames enormes rumam para o Sul. Pelo meio vão indo lentamente viaturas de apoio. A imagem é a de uma corrente sanguinea com todos os seu elementos. É sangue que corre não nas veias, mas pelas vias que vão dar até Sagres.
As conversa vão-se silenciando. O som mudo dos carretos é tão belo e agradável quanto a surdez que tudo em redor não se escuta. Nada se escuta. Nada se ouve.
Não é uma corrida.
O sentimento que se sente é dificil de se fazer sentir para quem não participe. É uma comunhão. É um ideal, uma forma de estar. Não se olha para o lado a ver quem é o mais forte, quem dá mais, quem desiste. Sozinho no seu mundo ou em partilha, são glóbulos brancos, vermelhos, plaquetas sanguineas que seguem todas na mesma direcção, pela mesma artéria. Não competem, não se olham, seguem apenas como que movidas e orientadas por uma forma maior, externa, que os comanda dando-lhes liberdade de seguir...
A cada povoado, assomam as suas gentes à principal via para verem passar este movimento. Poderão ficar nisto o dia todo. Batem palmas, incentivam. Alguns não compreendem e não conseguem disfarçar a incógnitiva inquietude que lhes salta dos olhos e dos corpos imóveis nas bermas da estrada. Parecem sinais de trânsito.
O movimento continua. Não dá tréguas. Não pára nunca. Os cafés de beira de estrada enchem com a mesma velocidade que esvaziam. Vezes sem conta. Poderá ser o melhor dia de negócio do ano. Afinal "os mais de 5.000" (nas contas de Malvar) sempre comem e bebem.
Aos poucos e poucos o objectivo, aquele destino bem para lá do imaginável de muitos que há horas atrás encetaram tamanha odisseia, vai-se aproximando. Sagres já não é uma miragem.
As forças vão faltando. É visivel nos rostos mais sofriveis. O destino reservou mais uma adenda. O vento. Tamanha profecia que lançou caravelas por terras D´além mar, trás no seu sopro a vontade de provocar o ultimo sopro sofrego de quem já naufragou antes de aqui chegar.
Cansados mas casmurros, ou fortes e vigorosos, nenhum destes marinheiros deixa-se mais incomodar. É mais depressa ou mais devagar. Ninguém vai parar. Agora já ninguém vai parar.
Lá ao fundo os telhados amontoam-se e por detrás o mar! São os últimos momentos. O brilho nos olhos de quem está para acabar ofusca tudo em redor. Agora é acabar.
“Pelotões e pelotões de ciclistas, alguns maiores do que o da Volta a Portugal”
No fim ninguém chegou primeiro, ninguém chegou em último. Leva-nos apenas a pensar quantos ficaram com o sonho por realizar, com que sofrimento, com que dor.
Que leva tantos bem ou mal preparados a tamanha epopeia? com que sacrificio? Mas depois de tudo terminar, precisamente no minuto seguinte, nada disso se sente.
Abraçam-se amigos que se vêm todos os dias. Abraçam-se amigos que não são de abraçar. Abraçam-se amigos que há anos não trocavam um abraçar. Abraçam-se amigos que não são amigos que deram um um abraço de abraçar.
O abraço ao terminar é o maior de todos os sentimentos. É senti-lo e ao fundo ver o rochedo que entra pelo mar. É tão forte como ele, capaz de aguentar o mar sem tréguas dia após dia fustigar, castigar, rebentar, sem nunca o rochedo derrubar. O abraço ao terminar é o maior de todos os sentimentos. É a fortaleza em cima do rochedo. É Sagres. É o Tróia-Sagres
Um O Tróia-Sagres é um fenómeno sem igual. Não há evento maior. Sem palavras, somente sensorial.
A melhor maneira é deixar fluir.
E porque o começo é sempre no principio, nada melhor do que as palavras de quem "começou" este movimento. Sim porque o Tróia-Sagres já só pode ser considerado assim mesmo: um movimento!
Então diz Malvar:
“Nunca tinha visto uma coisa assim”... “ultrapassou em muito os 5.000” participantes"....
E no sábado começou às 4:45h da manhã quando depois de pouco mais de um par de horas dormidas o despertador tocou.
Perto das 06:00h da manhã, ainda noite cerrada, dá para começar a sentir o pulsar de tudo o que este dia significa.
Não há taças nem troféus. Não há linha de partida, nem tiro de partida, nem partida.
O barco apita. Está cheio. Carros, autocarros, carrinhas, ciclistas por todo o lado. O Ferry não leva nem mais um capacete. Alguns já não cabem. Têm que esperar o próximo. Por um par de luvas esquecido (já abandonando o meu veiculo de apoio) falho o embarque.
Fico dentro do carro uma hora à espera da próxima embarcação.
A zona de acesso ao próximo Ferry volta a encher. É a segunda leva para os que partem de Setúbal. Muitos são os que se juntam do lado de lá.
Dentro do barco, acotovelam-se conversas para amenizar o frio. Não que a manhã esteja propriamente invernosa. Nada disso. Em Dezembro seria impossivel pedir melhor. Se calhar, o frio é do nervosismo ou da excitação, ou de ambos.
Dentro do carro vou observando enquanto mastigo um reforço do pequeno-almoço. Consigo ouvir os mais exuberantes. Consigo ouvir os mais apreensivos que nada dizem e pensam na sua sorte para as próximas horas.
O desembarque faz-se rápido. As bermas da estrada estão cheias. Não há meio metro vago. Ciclistas e mais ciclistas trocam o transporte motorizado pelo seu veiculo a pedal. Parecem caracóis a sair para a estrada numa manhã fresca de orvalho na Primavera. Milhares!
Já não é noite. Gosto de partir de noite. Mas quem vem no segundo barco já não vê quão bonita fica a peninsula iluminada a pequenas luzes encarnadas intermitentes e intermináveis até perder de vista. é uma visão que se dilui quando apenas e só o Sol decide raiar por cima dos campos de arroz da Comporta e reflectir o seu esplendor nas poucas nuvens lá no alto.
Na agitação dos que vêm e dos que já lá vão, formam-se grupos. Enxames enormes rumam para o Sul. Pelo meio vão indo lentamente viaturas de apoio. A imagem é a de uma corrente sanguinea com todos os seu elementos. É sangue que corre não nas veias, mas pelas vias que vão dar até Sagres.
As conversa vão-se silenciando. O som mudo dos carretos é tão belo e agradável quanto a surdez que tudo em redor não se escuta. Nada se escuta. Nada se ouve.
Não é uma corrida.
O sentimento que se sente é dificil de se fazer sentir para quem não participe. É uma comunhão. É um ideal, uma forma de estar. Não se olha para o lado a ver quem é o mais forte, quem dá mais, quem desiste. Sozinho no seu mundo ou em partilha, são glóbulos brancos, vermelhos, plaquetas sanguineas que seguem todas na mesma direcção, pela mesma artéria. Não competem, não se olham, seguem apenas como que movidas e orientadas por uma forma maior, externa, que os comanda dando-lhes liberdade de seguir...
A cada povoado, assomam as suas gentes à principal via para verem passar este movimento. Poderão ficar nisto o dia todo. Batem palmas, incentivam. Alguns não compreendem e não conseguem disfarçar a incógnitiva inquietude que lhes salta dos olhos e dos corpos imóveis nas bermas da estrada. Parecem sinais de trânsito.
O movimento continua. Não dá tréguas. Não pára nunca. Os cafés de beira de estrada enchem com a mesma velocidade que esvaziam. Vezes sem conta. Poderá ser o melhor dia de negócio do ano. Afinal "os mais de 5.000" (nas contas de Malvar) sempre comem e bebem.
Aos poucos e poucos o objectivo, aquele destino bem para lá do imaginável de muitos que há horas atrás encetaram tamanha odisseia, vai-se aproximando. Sagres já não é uma miragem.
As forças vão faltando. É visivel nos rostos mais sofriveis. O destino reservou mais uma adenda. O vento. Tamanha profecia que lançou caravelas por terras D´além mar, trás no seu sopro a vontade de provocar o ultimo sopro sofrego de quem já naufragou antes de aqui chegar.
Cansados mas casmurros, ou fortes e vigorosos, nenhum destes marinheiros deixa-se mais incomodar. É mais depressa ou mais devagar. Ninguém vai parar. Agora já ninguém vai parar.
Lá ao fundo os telhados amontoam-se e por detrás o mar! São os últimos momentos. O brilho nos olhos de quem está para acabar ofusca tudo em redor. Agora é acabar.
“Pelotões e pelotões de ciclistas, alguns maiores do que o da Volta a Portugal”
No fim ninguém chegou primeiro, ninguém chegou em último. Leva-nos apenas a pensar quantos ficaram com o sonho por realizar, com que sofrimento, com que dor.
Que leva tantos bem ou mal preparados a tamanha epopeia? com que sacrificio? Mas depois de tudo terminar, precisamente no minuto seguinte, nada disso se sente.
Abraçam-se amigos que se vêm todos os dias. Abraçam-se amigos que não são de abraçar. Abraçam-se amigos que há anos não trocavam um abraçar. Abraçam-se amigos que não são amigos que deram um um abraço de abraçar.
O abraço ao terminar é o maior de todos os sentimentos. É senti-lo e ao fundo ver o rochedo que entra pelo mar. É tão forte como ele, capaz de aguentar o mar sem tréguas dia após dia fustigar, castigar, rebentar, sem nunca o rochedo derrubar. O abraço ao terminar é o maior de todos os sentimentos. É a fortaleza em cima do rochedo. É Sagres. É o Tróia-Sagres
Um O Tróia-Sagres é um fenómeno sem igual. Não há evento maior. Sem palavras, somente sensorial.
Dedicado a todos os que em determinado momento, sentiram aquele sofrimento que só sente quem sofre mas que acima de tudo, são recompensados pela felicidade de ter sofrido!
domingo, 6 de dezembro de 2015
A conter forças
A contar os dias, a conter as forças.
É mais ou menos assim que se vão vivendo estes dias de quem tenciona participar no Tróia-Sagres.
Não, ainda não é hoje que venho declamar uma poesia descritiva deste dia em que gentes de toda a parte rumam a terras que sabem a férias.
Não é que treine expecificamente para o evento, mas também não se pode deixar de fazer uma preparação, principalmente que diga respeito ao descanso que a antecede. Aliás como ainda recentemente disse:
"uma coisa que aprendi com o Troia-Sagres:
não guardes para o Troia-Sagres aquilo que podes pedalar no fim-de-semana antes. Imagina que chove no dia da prova e depois nem pedalaste num dia nem noutro!"
Vai daí ontem a volta foi mais curta e mais suave, sem esticões, somente a rolar. Mas não foi fácil controlar aquele impeto que de quando em vez aparecia e queria arruinar a táctica e as conversas do grupo, um trio animado.
Hoje fico a ver por entre o nevoeiro e a próxima semana é feita de volta curta no feriado e aula curta na 5ª feira.
É mais ou menos assim que se vão vivendo estes dias de quem tenciona participar no Tróia-Sagres.
Não, ainda não é hoje que venho declamar uma poesia descritiva deste dia em que gentes de toda a parte rumam a terras que sabem a férias.
Não é que treine expecificamente para o evento, mas também não se pode deixar de fazer uma preparação, principalmente que diga respeito ao descanso que a antecede. Aliás como ainda recentemente disse:
"uma coisa que aprendi com o Troia-Sagres:
não guardes para o Troia-Sagres aquilo que podes pedalar no fim-de-semana antes. Imagina que chove no dia da prova e depois nem pedalaste num dia nem noutro!"
Vai daí ontem a volta foi mais curta e mais suave, sem esticões, somente a rolar. Mas não foi fácil controlar aquele impeto que de quando em vez aparecia e queria arruinar a táctica e as conversas do grupo, um trio animado.
Hoje fico a ver por entre o nevoeiro e a próxima semana é feita de volta curta no feriado e aula curta na 5ª feira.
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