terça-feira, 23 de agosto de 2016

Droigas


   Pregabalina, Deflazacorte, Cianocobalamina, Piridoxina, Tiamina, tudo isto num cocktail misturado com calor aqui, gelo ali, fisioterapia acolá.
   Não tentem tirar-me sangue. O doping não dá espaço para tal.


  Diz-me o que tomas, dir-te-ei quem és.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A prova mais dura

  A prova (ou a etapa) mais dura é aquela que nos fica no lembramento para muitos e muitos anos, aquela que nos queixamos a vangloriar por vangloriar, como quem diz que a dor foi insustentável para valorizar o feito glorioso de a concluir.
   O frio que queima e faz sofrer, o Sol que seca e faz desidratar, a distância interminável que nos faz acreditar nunca mais ter fim, o esforço previsivel que se torna insustentável.
   A maior das subidas, o maior dos obstáculos. As maiores subidas congregadas, os maiores obstáculos congregados. Adamastores e outros horrores....



   Mas essa, a tal prova que nos fez duvidar até da continuação, a que nos fez pregar, rezar, amaldiçoar, chorar (não necessariamente por esta ordem) não é a prova mais dura.
   A prova mais dura de superar é aquela que nos acontece quando já estamos parados.
   Superar uma lesão impeditiva de praticar o que gostamos de praticar é a Mãe de todas as superações, o derradeiro desafio à capacidade do individuo.
   E à medida que o tempo passa, adensa-se a força necessária para a sua superação. A desilusão bate à porta e vem de mala às costas para se instalar por uns tempos e o desespero está já confortavelmente vestido com a nossa frustração.
  Mas não há volta a dar. Como qualquer outro feito de elevada estirpe desafiadora capaz de fazer tombar o mais forte dos Deuses, também aqui há que continuar.
   Remar contra a maré, lutar. Querer vencer o maior dos obstáculos é a maior das superações. Querer curar, sarar, tratar, para fortalecer, voltar, regressar.

   Que saudades!

   Sejam guerreiros.

sábado, 6 de agosto de 2016

A Volta a Portugal em Setúbal

PARABÉNS SETUBAL
Hoje Setubal saiu à rua. Num dia de trinta e tal graus, a população encheu as artérias da cidade para brindar e apoiar a passagem da caravana da Volta a Portugal.
Que fantástico foi ver nas bermas da estrada, de uma ponta à outra, um filamento de gente, a desaguar numa enorme multidão na principal avenida da cidade.
Dos mais miúdos levados pelos pais aos mais graúdos levados pelas suas bengalas, à sombra ou ao Sol, trocaram a praia ali tão perto para aplaudir estes atletas do pedal num espectáculo para toda a familia para todas as idades.
Sim, um espectáculo pois é todo um arraial de oferta colocado ao dispor da população, desde passatempos, ofertas de brindes, comes e bebes, jogos, e até ecrãs gigantes para se assistir à prova quando esta ainda vem longe.
Vi uma multidão com alegria, com emoção, com vontade de estar na rua, com vontade de viver.
E vi o comércio cheio: cafés, restaurantes, esplanadas, negócios de ocasião montados ali para o efeito, as publicidades das marcas e das equipas a trabalhar.
E vi uma Organização exemplar. Por todos os seus intervenientes, desde a Direcção da prova às forças de segurança, auxiliares, irrepreensivel. Tudo a funcionar de forma perfeita e harmoniosa.


Só não vi as vozes contestatárias que levaram à discussão e alteração do traçado, pois entenderam que todo este fantástico evento daria conta dos seus negócios à beira-mar das praias montado. Não os vi e eles também não viram que perderam somente o melhor dia de negócio do ano, talvez mesmo dos últimos 40 anos.
Mas sobre isso não vale mais a pena falar.
À cidade de Setúbal e às suas gentes, os meus parabéns pois aquilo que mostraram hoje, nesta forma de celebrar e receber na sua terra, foi de uma grandiosidade enorme igualavel à da natureza do próprio evento: a Volta a Portugal.
Venham mais eventos. Está provado que os queremos.
Assim vale a pena viver em Setúbal.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O caso Froome - Tour 2016



COMO PELUCHES NAS MÃOS DE CRIANÇAS

Vi na altura e nem quis acreditar no que os meus olhos presenciavam. 

Todos os anos, em todas as provas mediáticas, e mais principalmente em todas as subidas mediáticas em que os ciclistas forçosamente seguem mais lento, assisto de coração nas mãos ao que é para mim um espectáculo igual ao de um suicidio.
De que falo? do mesmo que falo todos os anos: do público! Podem muitos dizer que o aglomerado de pessoas que se assomam aos ciclistas na sua passagem para além das bermas das estradas, dão colorido, dão enfase, dão entusiasmo a quem vê e a quem pedala. Podem dizer isso tudo e que mais queiram. Para mim não é assim e passo a explicar:
Parto logo do principio que na maioria das modalidades desportivas, o publico está no seu devido lugar e não tem acesso aos atletas, ou se tiver é prontamente colocado no seu lugar, que é na esquadra mais próxima. Depois disso, a presença de todo aquele maranhal de gente que vemos subidas acima,
1 - prejudica o espectador: quantas vezes em casa acabamos por apenas ver quem vem na traseira do grupo ou quem vai na frente;
2 - no seguimento do anterior, prejudica quem está a trabalhar: seja para os cameraman, seja para os comissários, seja para os carros de apoio, etc;
3 - prejudica o próprio publico: por mais que se cheguem dentro da estrada, pouco ou quase nada conseguem ver, isto senão os mais afoitos, vulgo loucos, que tomam os lugares da frente quase ao colo dos intervenientes na prova;
4 - e apesar de ser 4º deixando para último propositadamente por ser o mais importante: prejudica o ciclista que nem consegue ver o que se passa com os seus adversários e que se quiser lançar um ataque passa por onde? quantos mais casos precisarão de acontecer como o de ontem? quantos ciclistas já foram prejudicados com situações semelhantes ou outras? o incauto publico, muitas vezes em excesso de alcool (e que mais sabe.se lá..) atira-se para a frente, toca, empurra, ostenta bandeiras em frente ou ao lado dos ciclistas (muitas vezes nem è a bandeira do atleta, vá-se lá perceber o acto) sem noção que esta pode prender-se no guiador, na roda, e mandar o ciclista ao chão, correm ao lado quase tombando na estrada (e que desgraça daí poderia vir) e tudo o que demais possam imaginar.


antigamente era assim...




A coisa vai agravando ano após ano, pois decidiu-se (além das próprias pessoas que gerem a transmissão TV, outros que demais) que os "cromos" e outros parolos, passassem a ser um espectáculo a visionar dentro do espectáculo.
Ora se dás destaque a um estupido, passado um dia tens 5 estupidos a quererem o mesmo destaque, and so on, and so on.


hoje em dia é assim (veja-se onde está a berma da estrada)
















     estrada? onde?

    A coisa já vai de tal maneira que até se vêem "tiffosis" (segundo os comentadores de determinado canal TV) a largarem fumos à passagem dos atletas. Ora isso então é que deve saber mesmo bem! Vai um ciclista a subir com o Carmo e a Trindade nas mãos ofegando quase que rebenta, e uma golada bem funda de fumo era o que vinha a calhar.

      Depois vamos vendo aqui e ali, os desgraçados dos ciclistas a serem verbo de encher. Como peluches nas mãos de crianças, têm que aguentar que lhes façam tudo, acrescendo que vão em esforço intenso de cento e tal km nas pernas quando ainda têm que dar o maior impulso chegando à subida, e o desgaste já faz o raciocinio tender para o lado do nada, têm que aguentar! . Alguns (poucos a meu ver) não aguentam e têm gestos menos bonitos com o publico, o tal elemento que paga isto tudo e que depois estraga o próprio show.
E muito mais por aí poderia ser dito mas acho que já dá para se ter uma ideia.



Alguns de vós poderão agora dizer que não há solução possivel, que é mesmo assim, que é tradição. 
Lembro-me num Giro bem recente que havia tantos mais policias como outra força de ordem que na altura não consegui perceber, e barreiras sem fim, nos ultimos (longos ultimos) km de etapas de gabarito montanhoso. Foi um exemplo e foi tão bom de ver, tão limpo, tão tranquilo.
Infelizmente o próprio Giro abandonou esse conceito. Demasiada despesa? talvez, não sei.
Sei que a continuar assim, é o espectáculo quem perde, o espectador, e acima de tudo, aquele que é o artista principal de tudo: o ciclista.

Agora vêem as teorias de que a Organização deve tomar os tempos à queda ou não, que isto e aquilo... Tarde demais. Tudo isso seria evitado se nada disto se tivesse dado. E se se deu foi por culpa da Organização.
E a Froome já ninguém lhe tira mais um pouco de mal-amado pois goste-se dele ou não, ficará sempre a polémica de algo onde ele foi prejudicado.




O que aconteceu ontem, não me admira, já previa (e como eu destesto dizer "eu não disse?"), e a continuar neste ritmo vai voltar a acontecer...cada vez mais.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O jantar está servido!

 Ora parece que ja dá para escrever qualquer coisinha.
 Ainda a braços com recuperação fisica que impediu escritas e tudo mais, mas já com força para bater umas teclas.
  Tempo nao tem faltado e vai daí até deu para ver a apresentação das equipas para o Tour 2016. Coisa bonita e tal de se ver, somente porque não dá para fazer mais nada senão estar de cu sentado e comando na mão.
    E como poderia imaginar o que estava para vir? A primeira parte da big meal, mesmo mesmo pronta a ser servida.
   Sobe ao palco a equipa da Astana: Aru e Nibali são os primeiros dos azuis-bébé todos alinhados lado a lado.
  Só o facto de os ver ombro com ombro não pude deixar de achar caricato. Depois ambos a sorrir? hmmm.
   Se a coisa só por si já estava fenomenal, um dos dois apresentadores vai numa de perguntas. E começando pelo Aru dispara:

   - então e o objectivo para o Tour é...?
   - vencer - responde o Aru (isto é somente um resumo muito curto do que realmente para aqui interessa)

   Muito bem, penso eu, e assunto arrumado, siga para a frente venha a próxima equipa. Not!!
   Não satisfeito, o jornalista destemido e armado em Teresa Guilherme, versão "picante" sem ser na area dos relacionamentos gratuitos e sexuais, vai de microfone em punho (epah, poupem-me arremessos ronaldeanos) em direcção ao Nibali, e antes que eu tivesse tempo de pensar que tipo de pergunta se poderia colocar depois ao que já fizera ao Aru, dispara:

   - então e o Nibali?? qual o objectivo para o Tour???

    Uiiiiiii, eu nem queria acreditar! ké lá isto??? pimenta na mesa da cozinha logo assim ao abrir?? um apresentador destemido e pronto para a loucura??
    Isto só podia ir dar merda. Tudo para começar ja round 1 entre dois galos na capoeira azul.

  E enquanto afio a faca e o garfo, de babete já colocado e lingua a salivar, vem de lá a resposta em inglês manhoso e escasso do vencedor do Giro:

   - ajudar o Aru

   WTF?????? O mundo acabou ou isto é para os apanhados???

   p.s. a foto abaixo não é do evento em questão mas não deixa de ser igualmente surrealista. Im lovin it e ainda não começou

 



domingo, 19 de junho de 2016

Mau demais para ser verdade

Um belo dia estava eu a seguir entusiasmadamente o Tour de Suisse, continuando a dar largas à minha satisfação de uma temporada de ciclismo emocionante que nos tem brindado com provas de elevada competitividade e muito mais.
  Já me ando quase a sentir como aquele anuncio da Sumol....




  Continuando, esta eu a assistir à transmissão quando vai nisto o ecrã divide em dois e passados alguns minutos, na outra metade de ecrã que não ciclismo, vem de lá uma conferência de imprensa do "mister" Santos. Tudo o resto a minha opinião é tal e qual esta:

http://www.etaparainha.com/2016/06/a-cmtv-e-volta-suica.html



  Mas se julgamos isto mau, na etapa do contra-relógio, seguia a transmissão dentro da normalidade, quando nisto o comentador rapidamente introduz um "alerta de última hora" tendo para o efeito que interromper-se a transmissão. Pensa o telespectador: que raio terá acontecido?? acabou o Mundo, acabou a crise financeira, ou mais grave e no seguimento do mesmo tema que fizera interromper a transmissão num dia anterior, o CR7 encravou uma unha do pé.
  Nenhuma das anteriores e nem que tivesse acabado o Mundo, primeiro quereria o amante da modalidade, terminar de visionar a sua paixão.
 Inspire-se fundo e que venha de lá essa "ultima hora" que qualquer comum amante de ciclismo aguenta uma pequena interrupção.
 Pois o que me leva a sentir que esta interrupção foi pior que a da conferência de imprensa foi mesmo que de pequena interrupção nao teve nada. Nem quis acreditar.

   Mau demais. Mas também vindo de onde vem não é de esperar.
   Mas, reflectindo melhor chego a outra deliberação, esta bem mais adequada: o que não era de esperar era um canal destes com um conteudo destes, ou seja, o Tour de Suisse.

  Isso é que é totalmente desajustado e a reclamar o telespectador de algo, deveria ser disso mesmo.


  P.S. já agora, acho que o Fernando Santos colocou o Rafa em campo aos 87 minutos cedo demais e deveria haver um prémio jornalístico para o ou os profissionais que conseguem ou conseguiram (e conseguem em tantos outros temas) encher xórisses durante tanto tempo sobre a mesma peça, em directos cuja duração breve de 5 a 6 minutos seria suficiente para dar o todo da noticia...

sábado, 4 de junho de 2016

Indoor cycling + volta ao ovo

 Sábado,

 "Cravado" para aula de substituição, mas nem por isso deixando a manhã pela metade.
  Assim, no pós-indoor 45 minutos, mais 55 outdoor a malhar bem.

  Percebe-se que sai a bom ritmo. Terá sido:

  hipotese A: a gelatina + home-made energy bar
  hipotese B: só a gelatina (pois a energy bar nao fez nada)
  hipotese C: cheio de pica e ainda com o bálanço do indoor
  hipotese D: a pressa de chegar

   Who know´s?? Who cares??