terça-feira, 28 de março de 2017

Diz-me com quem andas....

 ...e eu dir-te-ei quem és.

   Não ando com ninguém. E o blog também não tem andado!
   Ontem fiz um semi-treino circuito. Deu bem para perceber que a forma já era. Bicicleta vai para três semanas. É do pior.
   E o blog recente-se. E eu recinto-me por ambas situações.
   Falta tempo, falta tempo, falta tempo. Mas tenho que reestruturar, reorganizar.

    Por terras do lá fora, já pedalam os profissionais. Deu para ver uma bela disputa na volta da Catalunha e outra na "especial" belga Genk-atchimsantinho.
    Se no passado era nas 3 grandes (e pouco mais) que recaia a minha atenção, cada vez mais vou-me inclinando para outras tiradas. O espectáculo é muito mais interessante e quase garantido. Principalmente no inicio da época.
   Ninguém tem nada a perder, todos atacam sem receios, a sky não domina o pelotão, é lindo de se ver.

    Vamo lá virar milho!

quinta-feira, 16 de março de 2017

nova temporada já mexe

 E que belo arranque tem sido!
 Já cá venho escrever o resto.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

8ª Maratona Rota do Casqueiro

  Mais uma vez a rumar para terras do Sr. Santo André, esperando que Sua Santidade me dê forças para a façanha a que me predispus lá por meados do fim do ano.
  A condição física está de longe a ideal e isso significa que vai dar no osso.
  A caminho ainda de noite, saido da cama pelas 06h da manhã, equacionas tudo e dúvidas do mundo inteiro.

  A prova em si antecipava um sobe e desce com que não me dou muito bem por isso a estratégia seria ir com calma... como de costume.
  Comer e hidratar muito, outra regra de ouro que não quis deixar passar ao lado.
  Partida rápida até às primeiras subidas. Separação do trigo e do joio foi bem cedo e por isso bem cedo fiquei sozinho numa imensidão de verde, castanho e passagens por cursos de água, areia e alguma lama, estes dois últimos de pouca coisa.

  Não vou falar da alma e coração hoje, senão num pequeno parêntises. De entre todas as coisas, virtudes ou nem por isso, melhor ou pior organização, é sempre com muito agrado que vejo a população destas terras sair à rua e brindar-nos, atletas, profissionais ou amadores ou amadores curiosos, saudarem e incentivarem.
   Os mais pequenos (e que melhor exemplo para eles do que ver estas provas nas suas terras) e os mais velhos, agarrados em suas bengalas, vendo a monotonia do domingo de manhã quebrada por um enxame infindável que passa à sua porta sem fim.
   Um ou outro bttista mete-se com "a vizinha" ou a "ti maria" ou o "xô manel" e eles sorriem e acenam. Uma alegria, uma festa, dá gosto ver.. e motiva.
   O comércio local exalta com tanta gente que come, bebe, e enche os espaços, antes, durante, depois!
   Entretanto acabou. Cheguei ao fim. Gostei!
   Amanhã ou depois faço a ficha técnica.

   Os dados aqui (saquei o track da prova mas nao funcionou. Também não foi muito preciso)






domingo, 19 de fevereiro de 2017

Dos 8 aos 80


  Depois de uma bela semana de sol e clima ameno, pairava ameaça no ar sobre pior cenário para o fim-de-semana, o que não veio a confirmar-se, pelo menos para domingo, dia único actualmente para matar o bicho.
  A semana terminou com um bom treino na sexta (uns pesos, uns 20 min corrida, 1 hora de bicicleta, tudo indoor)  e uma hidroginástica pequinina no sábado que fez-me sentir músculos que raramente se fazem sentir.
 
  A volta prometia vento logo no inicio. Vamo lá portanto procurar uma "boleia". Pequenos grupos em que não me encaixei e um grande grupo que não foi excepção.
  Em Azeitão, dois rapazes viraram para a serra. Não me parecia boa ideia em virtude do vento, mas se eles iam... O Espichel não seria melhor.
   Parei para me aliviar e a juventude de Paio Pires, os amarelos e azuis, passaram nas minhas costas, seguido de carro apoio.
   Fiz-me à subida e fui apanhando um e outro. Dois dedos de conversa e um incentivo para que mantenham acesa esta paixão nas suas vidas por muitos anos. É sempre com muita satisfação que vejo estes pequenos na estrada.

    Meia serra feita e desço para o Portinho. O vento soprava forte e mais forte ficou lá em baixo. Apanho outro companheiro que não me deixa ir embora. Passados uns metros estamos de paleio. O senhor, sim, o senhor 60 anos de idade tem uma força na perna invejável. Mais baixo e mais pesado, com um ar tremendamente desconcertado, mas numa pedalada firme e constante, vai marcando o ritmo contra o vento que nos esmurra bem de frente.
  Vai desabafando que tem 60 anos, que faz voltas de 60 a 70km, que controla bem a sua FC e que o médico o deixa ir até aos 165. Nada mau, penso eu. Aliás bem acima do recomendável e antes que eu faça pré-julgamentos de uma vida toda ela passada na bicicleta, atira que só desde à 4 anos que pedala (!!!???). Impressionante.
   Pergunta-me para onde vou e digo-lhe que pensava subir novamente à serra mas que com este vento... e esclarece que lá em cima está menos vento. Despedimo-nos após a Secil.
    Mais uma volta à serra e confirma-se o que dissera aquele guerreiro. Sentia-me bem e decidi, por que não, dar mais uma volta. E assim fiz.
    Depois de vencer o muro vento de praia a praia, iniciei nova subida da Secil já com o sentimento que me ia sair do lombo.
    A coisa fez-se e depois vieram as "cruzes". Até chegar a casa, levei um knock-out do vento como já nao me lembrava.
   Mesmo castigador.
   Números para aqui, números para ali e tá feita a volta, em que fui dos "8" aos "80" no que à companhia diz respeito. Novos e menos novos, todos na estrada.

   Aí ficam o dados do estoiro:

    

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Enganado

 Quando olhas para o windguru na véspera e percebes que vai estar todo o dia béra. Ainda pensas numa réstia de esperança que te pode trazer a incerteza do informador, mas dúvidas.
  Deitas-te mas colocas o despertador na mesma, naquela de acordar e assomar à janela para ver que afinal dá, que não é tão mau quanto previsto e podes ir pedalar.

   Mas foi mais uma semana extenuante, e sabes o quanto dormir mais um pouco e aproveitar a manhã para algo muito útil também não é de todo desapropriado.
  E com este pensamento te reconfortas.
  E fui enganado!
  Pouco ou nada choveu. Devia ter saido, pensei, penso.
  Mas a manhã foi produtiva. Não na actividade física em si, mas na neuro-cerebral, entenda-se.

  Entretanto foi a condição física que saiu a perder. Vá-se lá ver ainda tenho que pensar em rolos?

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Pornográfico.... e boleias várias

 Manhã ventosa e até nem começou nada fácil
 O plano? apanhar uma boleia!

 Até Azeitão e para variar, sempre só contra. Contra o vento e contra a corrente. Porque é que parece que sou sempre o único na direcção para lá e todos os restantes vêm para cá?

 Desisti dessa ideia e fiz correcção de traçado. Mas logo após isso, 4 manueis apanharam-me e fiz-me da última carruagem.
 Por meu azar fizeram precisamente o caminho de regresso que eu acabara de fazer, e só para me enervar, cruzámos com vários grupos em sentido contrário.
  Não vale a pena dizer mais nada sobre isso.

  Depois de subirmos ao castelo de Palmela, o grupo parou no café. Decidi não parar. Já cá em baixo entre rotundas, fui apanhado por um craque. Grande ritmo, pedalada forte e nem quis que eu colaborasse. Cá estava eu novamente à boleia. Estava a gostar e a saber bem até que no semáforo da Qta do Anjo, o craque não parou. Eu parei.

  De repente vejo-me sem ideias. À pressão inventei um caminho qualquer. Vira para cá, vira para lá e seguia finalmente a rolar bem e com sensações "góstoso".

  Tempo para voltar à palestra do ensaio sensorial destas coisas de mim e da bicicleta.
  Vamos à terceira parte portanto:
  Recapitulando depois de ter falado de cabeça, vontade e pernas, e de capacidade de sofrimento, hoje é tempo de capitulo talvez um pouco mais dificl de compreender: a pornografia
   Sim leu bem o sr leitor.
   Tem isto de quando se pedala por aí que em certas ocasiões se atinge um patamar mais adiante. É algo pornográfico sim. É quando se dá a conjugação de todos os factores anteriores numa simbiose perfeita.
   O vento parou ou simplesmente ficou de costas e de repente passo a sentir o prazer de deslizar, de pedalar desenfriadamente sem consequências, sem dores, sem dúvidas.
   É um momento de união perfeita entre o ciclista e a sua bicicleta. Ambos como um só. E estando este quadrante em que todos os astros se alinham entre si, junta-se a música ideal para explicar. Nem por coincidência.
  Deixo-a em baixo.
  É pornográfico? É, muito. O leitor não compreende? Pois não sei explicar de outra forma.

  

  Os dados da volta:

  

domingo, 29 de janeiro de 2017

Insiste, insiste

 domingo
 ciclismo

  Nem chove nem coise.
  A serra ali ao lado e a Gt revisionada continuam a chamar por mim. Tenho mesmo que fazer uma incursão pelo btt mais domingo, menos domingo.

  Cansaço acumulado presente logo no inicio pela dor nas pernas, fruto de 2 horas de natação no final do dia de ontem, em trabalhos forçados de pernas.

  A ideia de fazer 3,30h de pedal começava a esbater-se.

  Na semana anterior falei de "cabeça", "vontade" e "pernas".
  Ficou guardado para hoje (e melhor dia não podia ter escolhido) para falar do outro indicador, talvez o mais importante de todos: a capacidade de sofrimento!
  Sejamos sinceros: doer, vai sempre doer! a capacidade para aguentar essa dor é que vai depender de cada um. E é essa adaptação que tem de se impor ao corpo (pernas) e sobretudo à mente (cabeça e vontade) para levar de vencida os desejos (ou objectivos) a que nos propomos.
  É como dizia o Carlos Sá (ultra-maratonista português): 20% é condição física, os restantes 80% é mental. Por certo, nas provas de longa duração, chega-se a um ponto tal que já não há dor, já não há nada.
  Não sei se as percentagens são tão assim e nem sei se há ciência que o permita apurar. Mas sei que efectivamente a cada treino, a cada prova, a dor vai lá estar. Mais forte ou mais fraca, mas vai lá estar. A nossa atitude perante ela é que vai ditar a nossa força, ou parte dela!

   Hoje foi um desses dias. A cada km percorrido, vagueando entre pensamentos, encalhei naquele que as pernas fazem questão de trazer à baila a cada saida: a forma (ou ausência dela). Pus-me com desculpas: a natação, o vento de frente, o cansaço dos últimos meses, a falta de treinos regulares e mais intensos como antigamente, bla bla bla. Tudo verdade. A cada um destes aspectos que as pernas atiravam cá para cima (para a cabeça), faziam-me duvidar do trajecto que idealizara logo pela manhã. Abortei a ida ao Espichel por causa do vento (para não sofrer tanto).
   Fui virando ora para a esquerda, ora para a direita. Ia evitando encarrilar no caminho de casa, embora por vezes a tentação tenha sido grande, principalmente quando o vento chocava de frente e dor agudizava ou simplesmente quando percebi que a nutrição que trazia era defeciente (bendita nota de 5 euros - falarei mais adiante).

   Interiorizei que mais valia seguir devagar e fazer uma volta mais longa do que conitnuar a forçar e ir directo para casa. Ah mas as dúvidas, as dúvidas.
   tracei um objectivo: fazer um reforço alimentar em Azeitão e depois seguir para a Serra. Instantes antes lembrara que em outras ocasiões foi precisamente na dor que evolui para outras andanças. E se nas ultimas semanas este tema ja me aborrecia, então que se transforme em força nas pernas para o combater.
    Torrei os 5 euros inteirinhos (ou quase) em duas empadas hiper-salgadas e um sumo de laranja doce como a merda e arranquei decidido em direcção a uma serra oculta no seu topo por nuvens negras.
   Estava novo. À medida que um grande grupo de retornados passava por mim em sentido contrário, eu cerrava os pulsos no guiador contra o vento e ja a pensar no que me esperava. O alento vinha do ar das praias que haveria de respirar. Ia só fazer meia-serra.

   A corrida com o cão:

   Ao chegar ao cruzamento do Portinho, estava um cão nele parado. Deu duas voltas no mesmo lugar quando um carro por ele passou. Ainda a uns metros de lá chegar dei-lhe um assobio: fiiiiuuuuu.
   O bichano olhou para mim, levantou as orelhas e raspou-se de um tiro pela descida abaixo. Era um cão de porte médio, pêlo castanho e alongado, com coleira (acho), e aí na casa da meia idade...para um cão.
   Ao chegar ao cruzamento virei na mesmíssima direcção. Pensava que o veria uns metros mais abaixo a rodopiar ou algo que o valha. Mas não! O bicho seguia desgovernado numa corrida estrada abaixo. Pior dos meus receios é que fosse atropelado. O animal cortava as curvas, seguia fora de mão e mais trinta por uma linha. Achei que talvez fosse melhor não seguir atrás dele para não o incentivar. Mas que raio, ele já lá ia.
   De coração nas mãos, atirei-me pela mata do solitário adentro. Rezava para que não viesse nenhum carro.
   O desgraçado do acastanhado ia que nem o Bolt. A lingua de fora toda puxada de lado, as orelhas rasgadas para trás e os olhos semi-serrados. Parecia mesmo que estava à minha espera para aquele duelo e quando o ultrapassei, mirou-me quase que poderia dizer com um focinho de gozo!
  Sacana do bicho.

  Feita a descida, faltava o regresso! Munido das forças que restavam, poucas julgava, fiz-me ao largo da beleza do rio, da Tróia, das praias. Belas cores, linda vista, carrega na pedaleira.
   Num instante cheguei a casa (vejo agora que fiz PR nestes troços??? no final da volta? num dia cansaço?) Ou isto não vai tão mal quanto penso, ou o vento deu uma mãozinha no final?

   Que sa lixe.
   O que soube bem no final é que fiz as 3:30h, quando pensava que não, com meia-serra à mistura.