domingo, 28 de maio de 2017

75km by wind

 O vento, aquele ser com vida própria tantas vezes almejado nestas minhas escritas.
 Hoje soprou forte, mais uma vez.
 Mas ao contrário de outras ocasiões, hoje senti-o aliado. Aliado primeiro, inimigo no regresso. Embora preferisse o inverso, confesso que ainda restavam forças para lutar mano a mano com o gajo.
 
  Não há muito mais a dizer. Pouca gente na estrada hoje. Uma bela manhã. Feliz por o joelho ter permitido isto.
  Volta ligeiramente mais curta para não estar sempre a levar sovas e pouco mais (treinos continuam grupe) mas a malhar bem.

  Curiosidades da manhã:

  Quando quiseres saber para que lado está o vento, encostas, colocas o marsupilami de fora e se o vento estiver contra, serás regado nos pés e pernas.

 


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A minha etapa Coppi

 Em homenagem ao dito senhor e porque foi assim no Giro também nessa semana:

 Depois de boa parte da manhã a rodar em plano a bom ritmo, atirei-me decidido para a serra. Não seria acabar ao alto pois ainda havia o regresso a casa.
  Fui colocando desafios (ou pontos intermédios) para facilitar ultrapassar obstáculos, uma táctica usada por muitos atletas profissionais.

  Ficou mais ou menos assim:

   1º ponto: Poceirão
        a) café Entre-Pegões
   2º ponto: Pegões
   3º ponto: Marateca
        b) alto das Pontes
        c) saida de Setubal
        d) inicio subida Secil
   4º ponto: Antenas
        e) rampa para-pente
   5º ponto: Azeitão
         f) Alto das Necessidades
         g) Alto da N10
    6º ponto: Setubal



  belo esticão.
  liquidos o resto do dia. O aumento da temperatuda, ainda que com uma correcta alimentação e hidratação, fez com que sentisse "secura". A subida à serra aumentou o consumo interno. Deveria ter assegurado uma ingestão pré de maior quantidade.
 

domingo, 7 de maio de 2017

Afinal anda aí qualquer coisa

 Dia da mãe.
 Pouca gente na estrada. Muito menos que o usual como de esperar.
 Quando digo isto, refiro-me obviamente ao triangulo das bermudas e pouco mais, já que assim que de toma a direcçao de um dos seus afluentes, raro é ver qualquer alminha.
 
  Sai de casa com aquela moleza pouco recomendável. Mas ia com vontade de dar no duro.
  Elaborei um plano.
  A cada pedalada sentia vaciliar. É aquele sentimento da poupança de esforço que anda sempre comigo. Aquele que pretende evitar rebentar o motor antes (muito antes) do fim.
  Mas hoje estava decidido a forçar. Forçar a cada pedalada, a cada desafio. Fosse uma subida, uma inclinação ou uma recta contra o vento. E isto bem antes do fim!
  E cada vez que sentia as pernas piarem e a aliviarem a força nos cranks, rapidamente puxava concentração, tocava chicote e malhava um pouco mais forte.
  Tudo isto sabendo que o regresso trazia a serra ja perto do fim. Era tipo etapa de uma prova ciclistica. Significaria que quando lá chegasse iria de lingua de fora até ao topo e depois autêntica arrastadeira até casa.
   Mas não. A coisa fez-se bem e ainda deu para chegar bem. Confesso que a subida do convento custou-me um pouco mais que o normal.

   Um dia em que a direito ou a subir, foi sempre a malhar.
 
   

quinta-feira, 4 de maio de 2017

na ressaca de uma maratona

 Sair de casa sim, não? com sono, descansar, sim não?
 Não!

  Vontade de aproveitar uma linda manhã de sol e secar da molha do dia anterior.
   Possivel dor de pernas e fadiga a aparecer cedo, mas não.
   Nem na segunda passagem pela serra (a primeira foi só metade) a coisa azedou e diz o stravis que até deu para ganhar uma taça.
    Procurei boleias em Azeitão. Não encontrei nenhuma que agradasse apesar das várias dezenas que vi passar, acabei sozinho e que bem me soube.
   Que bem me soube!


  


   E afinal o garmin não está maluco. Na prova no dia anterior, olhava para os km percorridos (algo que faço raramente mas ja levava fome e queria saber quanto faltaria para a mangedoura) e via a marca de 28 com 2horas percorridas e um companheiro de ocasião a amaldiçoar a sua forma fisica e que estava muito pesado e que o fim nunca mais chegava.
   ??? estranhava tanto a sua conversa como as 2 horas ja decorridas. Algo nao estava bem. 28 km só?? numa prova a direito?? e o outro a mendigar pelo fim aos 28??
   Depois comparámos garmins e o dele e o de um outro companheiro que entretanto apareceu marcavam 40km. Tava explicado. O meu garmas pirou.
   Afinal não. Estava em milhas o ca***rão.


Maratona BTT - Trilhos da Figueira

  Foi no passado dia 30 de Abril que rumei até perto de Beja, mais propriamente Figueira dos Cavaleiros, para mais uma maratona.
  Assim de um repentemente (lol), com um feriado no dia seguinte para recompor, desenrasquei uma prova para mais uma incursão btt em além-terra.
   O Alentejo sempre à mão de semear e mantendo-se fértil em acontecimentos desta natureza, foi novamente o escolhido.




   "Não há provas perfeitas"
   Esta foi a frase proferida pelo speaker já com todos os atletas a postos na zona de partida.
   De facto, o dono do microfone tentava prevenir e desculpar a organização para algo que não seria mais do que aquilo que o terreno da zona teria para oferecer.
   A distância de 65km e uma altimetria rasteirinha faziam antecipar que as dificuldades seriam poucas e que a prova seria a rolar em bom ritmo.
  Assim foi. Nada das habituais paredes, muros ou o que lhe queiram chamar, mas em contrapartida também não vieram de lá os singles ou descidas mais entusiasmantes.
  A paisagem também pouco tinha para oferecer mas foi agradável.
  As surpresas estavam guardadas para outros predicados.
  A areia foi uma delas. Se ao principio vai-se levando, passados uns bons km a coisa começa a fustigar a alma dos participantes, e não fosse ser uma prova de baixa intensidade fisica, e poderia mesmo levar ao desespero de alguns.
   A areia é mesmo um elemento que causa desgaste, principalmente psicológico. É um mal-amado neste mundo do btt.
   A cada paragem, quer fosse no posto de controle, de abastecimento ou de agua, era notoria a preocupação dos elementos da organização, saberem deste tema, sendo que eles próprios avançavam logo com a pergunta "e a areia?".
  Aliás, a simpatia geral de todos os que estiveram em funções, foi sem dúvida o ponto mais marcante e positivo de todo o evento. O esforço para agradar foi notório. A forma em como tentaram oferecer o melhor que tinham para dar também.
  Infelizmente, ao que tudo indica, a zona não tem mesmo mais para brindar quem lá vai.
 
   Ainda uma ressalva para uma molha das antigas como à muito não levava, que me fez arder os olhos e nao ver o caminho durante largo periodo, quase a pensar que estaria já fora do trilho (marcações muito pobrezinhas é algo a melhorar), pois na separação aos 44km, nunca mais vi ninguém até ao fim.

   O almoço estava muito bom. O ponto de abastecimento q.b.
 
   A minha forma continua muito em baixo, mas isso em dia de festa não importa nada. É preciso é disfrutar e chegar inteiro ao fim.
  A cabeça começa a pensar se nao estará na hora de investir numa montada mais confortável. A ver vamos.
 
  
 

domingo, 16 de abril de 2017

imperdoável

 faltava o vaidosismo que se tem daquilo que nos carrega


sábado, 15 de abril de 2017

Pascoada parte II

 Pouco para dizer. É mais do mesmo! É a segunda etapa.

 Pedalando com os bichos, parecia o fungágá da bicharada e acabei que parecia alvo do Paintball.

 A forma custa em aparecer.

  

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Páscoada

 Semana na mesma senda das anteriores mas juntando finalmente natação.

 De resto pouco mais a dizer. 3 dias para descansar mas com a bicicleta por companhia.
 Depois de uma horita de trabalhos de campo (literalmente), foi hora de atacar a estrada.
 Na ideia levava intenção de pedalar por 2 horas. No final foram quase três.
 Boas sensações que nem o vento estragou.
 Acompanhado por muita bicharada que me olhava do lado de lá das vedações ou lá do alto. Apenas os insectos kamikazes a baterem nos oculos e na face é que se dispensavam.

   Pelo meio a descoberta de uma estrada nova, um paraiso (mais um) sem automóveis!

                                               Quando "só" tens a manhã inteira para pedalar.
                                       Quando o caminho parece interminável.... felizmente!                                              
  


Me, myself and i!




Como às vezes a vida é tão simples, tão pura, tão boa.

Amanhã há mais.


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Domingo de pedalar

 finalmente!!

 Mete a Foil na rua e tá a malhar.
 Com dois treinos violentos dos dois dias anteriores, optei por uma volta tranquila sem grandes pressas, pois cheirava-me mesmo àqueles dias de partir o motor.
 A manhã estava maravilhosa, não obstante um vento ligeiro.
 Seguia calmo e tranquilo quando sou apanhado por um pelotão. Resolvi seguir a boleia. O ritmo estava no ponto e sempre aquecia em outro andamento.
  Nas Necessidades viraram para a serra e lá segui a minha trilha.
  Para meu espanto as pernas não se ressentiam e tudo me sabia bem. De quando em vez tinha que freá-las como se faz aos cavalos mas ao mesmo tempo ia martelando os pedais com sabor.
  A chegada ao Espichel foi sempre a dar. Teria o vento pelas costas e por isso parecia o maior da cantareira.
  Espera que o regresso com vento na cara, até ganes.
  Mas não. Tudo se fez sem ressentimentos e ainda deu para esticar um pouquinho. Vá-se lá perceber isto.


 
   Se tivesse que colocar ashtags e essas mariquisses, seria algo:
    #deviaestarcansadomasnão
    #maravilhosamanhãmaravilhosassensações
    #abananadescascou-sesozinha
    #nãovalemaisparar
    #seestáasaberbemcontinua
    #motoresquenãopartem

   e outras que me lembrei na altura e agora já não lembro.

terça-feira, 28 de março de 2017

Diz-me com quem andas....

 ...e eu dir-te-ei quem és.

   Não ando com ninguém. E o blog também não tem andado!
   Ontem fiz um semi-treino circuito. Deu bem para perceber que a forma já era. Bicicleta vai para três semanas. É do pior.
   E o blog recente-se. E eu recinto-me por ambas situações.
   Falta tempo, falta tempo, falta tempo. Mas tenho que reestruturar, reorganizar.

    Por terras do lá fora, já pedalam os profissionais. Deu para ver uma bela disputa na volta da Catalunha e outra na "especial" belga Genk-atchimsantinho.
    Se no passado era nas 3 grandes (e pouco mais) que recaia a minha atenção, cada vez mais vou-me inclinando para outras tiradas. O espectáculo é muito mais interessante e quase garantido. Principalmente no inicio da época.
   Ninguém tem nada a perder, todos atacam sem receios, a sky não domina o pelotão, é lindo de se ver.

    Vamo lá virar milho!

quinta-feira, 16 de março de 2017

nova temporada já mexe

 E que belo arranque tem sido!
 Já cá venho escrever o resto.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

8ª Maratona Rota do Casqueiro

  Mais uma vez a rumar para terras do Sr. Santo André, esperando que Sua Santidade me dê forças para a façanha a que me predispus lá por meados do fim do ano.
  A condição física está de longe a ideal e isso significa que vai dar no osso.
  A caminho ainda de noite, saido da cama pelas 06h da manhã, equacionas tudo e dúvidas do mundo inteiro.

  A prova em si antecipava um sobe e desce com que não me dou muito bem por isso a estratégia seria ir com calma... como de costume.
  Comer e hidratar muito, outra regra de ouro que não quis deixar passar ao lado.
  Partida rápida até às primeiras subidas. Separação do trigo e do joio foi bem cedo e por isso bem cedo fiquei sozinho numa imensidão de verde, castanho e passagens por cursos de água, areia e alguma lama, estes dois últimos de pouca coisa.

  Não vou falar da alma e coração hoje, senão num pequeno parêntises. De entre todas as coisas, virtudes ou nem por isso, melhor ou pior organização, é sempre com muito agrado que vejo a população destas terras sair à rua e brindar-nos, atletas, profissionais ou amadores ou amadores curiosos, saudarem e incentivarem.
   Os mais pequenos (e que melhor exemplo para eles do que ver estas provas nas suas terras) e os mais velhos, agarrados em suas bengalas, vendo a monotonia do domingo de manhã quebrada por um enxame infindável que passa à sua porta sem fim.
   Um ou outro bttista mete-se com "a vizinha" ou a "ti maria" ou o "xô manel" e eles sorriem e acenam. Uma alegria, uma festa, dá gosto ver.. e motiva.
   O comércio local exalta com tanta gente que come, bebe, e enche os espaços, antes, durante, depois!
   Entretanto acabou. Cheguei ao fim. Gostei!
   Amanhã ou depois faço a ficha técnica.

   Os dados aqui (saquei o track da prova mas nao funcionou. Também não foi muito preciso)






domingo, 19 de fevereiro de 2017

Dos 8 aos 80


  Depois de uma bela semana de sol e clima ameno, pairava ameaça no ar sobre pior cenário para o fim-de-semana, o que não veio a confirmar-se, pelo menos para domingo, dia único actualmente para matar o bicho.
  A semana terminou com um bom treino na sexta (uns pesos, uns 20 min corrida, 1 hora de bicicleta, tudo indoor)  e uma hidroginástica pequinina no sábado que fez-me sentir músculos que raramente se fazem sentir.
 
  A volta prometia vento logo no inicio. Vamo lá portanto procurar uma "boleia". Pequenos grupos em que não me encaixei e um grande grupo que não foi excepção.
  Em Azeitão, dois rapazes viraram para a serra. Não me parecia boa ideia em virtude do vento, mas se eles iam... O Espichel não seria melhor.
   Parei para me aliviar e a juventude de Paio Pires, os amarelos e azuis, passaram nas minhas costas, seguido de carro apoio.
   Fiz-me à subida e fui apanhando um e outro. Dois dedos de conversa e um incentivo para que mantenham acesa esta paixão nas suas vidas por muitos anos. É sempre com muita satisfação que vejo estes pequenos na estrada.

    Meia serra feita e desço para o Portinho. O vento soprava forte e mais forte ficou lá em baixo. Apanho outro companheiro que não me deixa ir embora. Passados uns metros estamos de paleio. O senhor, sim, o senhor 60 anos de idade tem uma força na perna invejável. Mais baixo e mais pesado, com um ar tremendamente desconcertado, mas numa pedalada firme e constante, vai marcando o ritmo contra o vento que nos esmurra bem de frente.
  Vai desabafando que tem 60 anos, que faz voltas de 60 a 70km, que controla bem a sua FC e que o médico o deixa ir até aos 165. Nada mau, penso eu. Aliás bem acima do recomendável e antes que eu faça pré-julgamentos de uma vida toda ela passada na bicicleta, atira que só desde à 4 anos que pedala (!!!???). Impressionante.
   Pergunta-me para onde vou e digo-lhe que pensava subir novamente à serra mas que com este vento... e esclarece que lá em cima está menos vento. Despedimo-nos após a Secil.
    Mais uma volta à serra e confirma-se o que dissera aquele guerreiro. Sentia-me bem e decidi, por que não, dar mais uma volta. E assim fiz.
    Depois de vencer o muro vento de praia a praia, iniciei nova subida da Secil já com o sentimento que me ia sair do lombo.
    A coisa fez-se e depois vieram as "cruzes". Até chegar a casa, levei um knock-out do vento como já nao me lembrava.
   Mesmo castigador.
   Números para aqui, números para ali e tá feita a volta, em que fui dos "8" aos "80" no que à companhia diz respeito. Novos e menos novos, todos na estrada.

   Aí ficam o dados do estoiro:

    

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Enganado

 Quando olhas para o windguru na véspera e percebes que vai estar todo o dia béra. Ainda pensas numa réstia de esperança que te pode trazer a incerteza do informador, mas dúvidas.
  Deitas-te mas colocas o despertador na mesma, naquela de acordar e assomar à janela para ver que afinal dá, que não é tão mau quanto previsto e podes ir pedalar.

   Mas foi mais uma semana extenuante, e sabes o quanto dormir mais um pouco e aproveitar a manhã para algo muito útil também não é de todo desapropriado.
  E com este pensamento te reconfortas.
  E fui enganado!
  Pouco ou nada choveu. Devia ter saido, pensei, penso.
  Mas a manhã foi produtiva. Não na actividade física em si, mas na neuro-cerebral, entenda-se.

  Entretanto foi a condição física que saiu a perder. Vá-se lá ver ainda tenho que pensar em rolos?

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Pornográfico.... e boleias várias

 Manhã ventosa e até nem começou nada fácil
 O plano? apanhar uma boleia!

 Até Azeitão e para variar, sempre só contra. Contra o vento e contra a corrente. Porque é que parece que sou sempre o único na direcção para lá e todos os restantes vêm para cá?

 Desisti dessa ideia e fiz correcção de traçado. Mas logo após isso, 4 manueis apanharam-me e fiz-me da última carruagem.
 Por meu azar fizeram precisamente o caminho de regresso que eu acabara de fazer, e só para me enervar, cruzámos com vários grupos em sentido contrário.
  Não vale a pena dizer mais nada sobre isso.

  Depois de subirmos ao castelo de Palmela, o grupo parou no café. Decidi não parar. Já cá em baixo entre rotundas, fui apanhado por um craque. Grande ritmo, pedalada forte e nem quis que eu colaborasse. Cá estava eu novamente à boleia. Estava a gostar e a saber bem até que no semáforo da Qta do Anjo, o craque não parou. Eu parei.

  De repente vejo-me sem ideias. À pressão inventei um caminho qualquer. Vira para cá, vira para lá e seguia finalmente a rolar bem e com sensações "góstoso".

  Tempo para voltar à palestra do ensaio sensorial destas coisas de mim e da bicicleta.
  Vamos à terceira parte portanto:
  Recapitulando depois de ter falado de cabeça, vontade e pernas, e de capacidade de sofrimento, hoje é tempo de capitulo talvez um pouco mais dificl de compreender: a pornografia
   Sim leu bem o sr leitor.
   Tem isto de quando se pedala por aí que em certas ocasiões se atinge um patamar mais adiante. É algo pornográfico sim. É quando se dá a conjugação de todos os factores anteriores numa simbiose perfeita.
   O vento parou ou simplesmente ficou de costas e de repente passo a sentir o prazer de deslizar, de pedalar desenfriadamente sem consequências, sem dores, sem dúvidas.
   É um momento de união perfeita entre o ciclista e a sua bicicleta. Ambos como um só. E estando este quadrante em que todos os astros se alinham entre si, junta-se a música ideal para explicar. Nem por coincidência.
  Deixo-a em baixo.
  É pornográfico? É, muito. O leitor não compreende? Pois não sei explicar de outra forma.

  

  Os dados da volta:

  

domingo, 29 de janeiro de 2017

Insiste, insiste

 domingo
 ciclismo

  Nem chove nem coise.
  A serra ali ao lado e a Gt revisionada continuam a chamar por mim. Tenho mesmo que fazer uma incursão pelo btt mais domingo, menos domingo.

  Cansaço acumulado presente logo no inicio pela dor nas pernas, fruto de 2 horas de natação no final do dia de ontem, em trabalhos forçados de pernas.

  A ideia de fazer 3,30h de pedal começava a esbater-se.

  Na semana anterior falei de "cabeça", "vontade" e "pernas".
  Ficou guardado para hoje (e melhor dia não podia ter escolhido) para falar do outro indicador, talvez o mais importante de todos: a capacidade de sofrimento!
  Sejamos sinceros: doer, vai sempre doer! a capacidade para aguentar essa dor é que vai depender de cada um. E é essa adaptação que tem de se impor ao corpo (pernas) e sobretudo à mente (cabeça e vontade) para levar de vencida os desejos (ou objectivos) a que nos propomos.
  É como dizia o Carlos Sá (ultra-maratonista português): 20% é condição física, os restantes 80% é mental. Por certo, nas provas de longa duração, chega-se a um ponto tal que já não há dor, já não há nada.
  Não sei se as percentagens são tão assim e nem sei se há ciência que o permita apurar. Mas sei que efectivamente a cada treino, a cada prova, a dor vai lá estar. Mais forte ou mais fraca, mas vai lá estar. A nossa atitude perante ela é que vai ditar a nossa força, ou parte dela!

   Hoje foi um desses dias. A cada km percorrido, vagueando entre pensamentos, encalhei naquele que as pernas fazem questão de trazer à baila a cada saida: a forma (ou ausência dela). Pus-me com desculpas: a natação, o vento de frente, o cansaço dos últimos meses, a falta de treinos regulares e mais intensos como antigamente, bla bla bla. Tudo verdade. A cada um destes aspectos que as pernas atiravam cá para cima (para a cabeça), faziam-me duvidar do trajecto que idealizara logo pela manhã. Abortei a ida ao Espichel por causa do vento (para não sofrer tanto).
   Fui virando ora para a esquerda, ora para a direita. Ia evitando encarrilar no caminho de casa, embora por vezes a tentação tenha sido grande, principalmente quando o vento chocava de frente e dor agudizava ou simplesmente quando percebi que a nutrição que trazia era defeciente (bendita nota de 5 euros - falarei mais adiante).

   Interiorizei que mais valia seguir devagar e fazer uma volta mais longa do que conitnuar a forçar e ir directo para casa. Ah mas as dúvidas, as dúvidas.
   tracei um objectivo: fazer um reforço alimentar em Azeitão e depois seguir para a Serra. Instantes antes lembrara que em outras ocasiões foi precisamente na dor que evolui para outras andanças. E se nas ultimas semanas este tema ja me aborrecia, então que se transforme em força nas pernas para o combater.
    Torrei os 5 euros inteirinhos (ou quase) em duas empadas hiper-salgadas e um sumo de laranja doce como a merda e arranquei decidido em direcção a uma serra oculta no seu topo por nuvens negras.
   Estava novo. À medida que um grande grupo de retornados passava por mim em sentido contrário, eu cerrava os pulsos no guiador contra o vento e ja a pensar no que me esperava. O alento vinha do ar das praias que haveria de respirar. Ia só fazer meia-serra.

   A corrida com o cão:

   Ao chegar ao cruzamento do Portinho, estava um cão nele parado. Deu duas voltas no mesmo lugar quando um carro por ele passou. Ainda a uns metros de lá chegar dei-lhe um assobio: fiiiiuuuuu.
   O bichano olhou para mim, levantou as orelhas e raspou-se de um tiro pela descida abaixo. Era um cão de porte médio, pêlo castanho e alongado, com coleira (acho), e aí na casa da meia idade...para um cão.
   Ao chegar ao cruzamento virei na mesmíssima direcção. Pensava que o veria uns metros mais abaixo a rodopiar ou algo que o valha. Mas não! O bicho seguia desgovernado numa corrida estrada abaixo. Pior dos meus receios é que fosse atropelado. O animal cortava as curvas, seguia fora de mão e mais trinta por uma linha. Achei que talvez fosse melhor não seguir atrás dele para não o incentivar. Mas que raio, ele já lá ia.
   De coração nas mãos, atirei-me pela mata do solitário adentro. Rezava para que não viesse nenhum carro.
   O desgraçado do acastanhado ia que nem o Bolt. A lingua de fora toda puxada de lado, as orelhas rasgadas para trás e os olhos semi-serrados. Parecia mesmo que estava à minha espera para aquele duelo e quando o ultrapassei, mirou-me quase que poderia dizer com um focinho de gozo!
  Sacana do bicho.

  Feita a descida, faltava o regresso! Munido das forças que restavam, poucas julgava, fiz-me ao largo da beleza do rio, da Tróia, das praias. Belas cores, linda vista, carrega na pedaleira.
   Num instante cheguei a casa (vejo agora que fiz PR nestes troços??? no final da volta? num dia cansaço?) Ou isto não vai tão mal quanto penso, ou o vento deu uma mãozinha no final?

   Que sa lixe.
   O que soube bem no final é que fiz as 3:30h, quando pensava que não, com meia-serra à mistura.


 

domingo, 22 de janeiro de 2017

À procura da endorfina

 Ciclismo
  22 de Janeiro

  Está dificil ficar em forma. Seja lá o que isso for, para mim representa pedalar mais ou menos 4h sem ser em esforço desmesurado (em esforço, claro está) a um ritmo que não seja tão somente o de passeio.
  É importante? não necessariamente. Ou corrigindo: não prioritariamente. Partindo do principio (o meu pelo menos) que mais vale fazer o que se consiga que não fazer nada de todo, qualquer saida só por si já é quanto baste para me sentir feliz. Ei-lo, este sim o ponto principal.

   A inconstância dos treinos tem levado a esta tal baixa de "forma". A falta de tempo tem de facto comprometido a rapariga.
  Os dois passados fins-de-semana nem permitiram ver a cor do alcatrão e depois de uma semana a malhar um pouco mais, hoje paguei a factura.
   Há três factores que são importantíssimos para a fluidez da volta. São eles:
    A- a cabeça;
    B- vontade;
    C - as pernas;

 Critério de análise de tese de mestrado? hmm talvez não. Mas ajuda a explicar muita coisa? talvez sim!
 Quando conjugados ou até individualmente, estes factores são determinantes em mim para uma melhor performance (não entender isto da performance demasiadamente cientificamente).
   Se a cabeça não quiser, pode haver vontade e pernas com fartura que a coisa nao se vai dar.
   Se houver cabeça e pernas, é quase certo que haverá vontade.
   Se houver cabeça e vontade mas nada de pernas, então a coisa também vai doer.

   Hoje foi esta conjugação de A+B-C que imperou. Depois de duas semanas de clausura estava com tal fome de bicicleta que nem o sono e o quente conforto da cama me aguentou lá mais que 5 minutos para além da hora que estipulara.
    Mas se os primeiros 45 min foram daquele sabor que se deseja, no postecipado as pernas começaram a acusar. A+B aqui lutam e ajudam a forçar, a insistir mas quando C não quer, não quer.
    Nestes casos só resta uma solução: procurar a endorfina. A endorfina é aquela reacção quimica do cérebro que liberta um liquido guloso e que reflete-se no corpo em forma de sensação de prazer (não esse), de invencibilidade e que ajuda a diminuir a dor.
   Tentei por certo, mas não aconteceu. Busquei boas sensações, forcei o ritmo, tentei rolar nas rectas mais a direito, puxei empolgamento em determinação, só faltou a musica que hoje nao trouxe.
   Só mesmo os ultimos km resultaram, mas esses habitualmente (excepto se já houve estoiro) nunca falham.
    Mas foi bom na mesma? claro que foi.
    Serão necessários alguns ajustamentos semanais senão daqui a pouco mais de 1 mês não como o Casqueiro.

    Bela manhã para se pedalar. De máscara e cover-shoes e perninha ao laréu, pela cidade e arredores estava ameno mas para os lados do campo, estava frio, frio! Ah e cheira a estrume que se farta...