12/06/2026
Ciclismo
Dia 2 e no programa mais do mesmo.
A rota desenhada, depois de umas quantas opçóes estudadas, recaiu na mesma do dia anterior mas em sentido contrário.
O dia apresentou-se mais quente e deu para perceber logo na hora da saida pois nem uma fresquinha de arrepiar aquele pêlo mais superficial do braço se fez sentir.
A subida do Vale Glaciar, uma das minhas preferidas, hoje custou um pouco mais que o habitual. E depois de comparados os dados com outras datas, confirma-se.
Já pelo seu lado, a descida foi uma das melhores, o que só entendo à luz das boas condições climatéricas pois nem sequer fui a fundo (nem perto disso).
À parte desse registo, a beleza desta subida impressiona sempre. Este vale e este maciço central deixam-me sempre perplexo e diminuto ante tamanha grandeza da serra mãe do nosso país.
Esta serra que não deixa nada por mãos alheias, que castiga, fustiga, trucida os incautos e os afoitos, bem preparados ou nem tanto, mas todos se vergam nas suas vertentes. Ela torce-nos, mastiga-nos e diverte-se com isso, imponente, forte e autoritária, mostrando que quem manda é ela.
No entanto, quando ao topo chegamos, abre os seus braços e recebe-nos calorosamente como que felicitando todos os que passaram pelos seus caprichos, premiando calorosamente num abraço sentido.
Mas que não nos iludamos pois a qualquer momento é capaz de mostrar o seu feitio.
Hoje não foi o caso e mantivemo-nos de pazes feitas descida abaixo.
Num instante chegava a Seia e daí em diante para Gouveia com o vento a fazer-se sentir de frente, castigando um pouco mais do que se desejava.
Ia-me acautelando na hidratação e alimentação, mas agora depois de terminada a contenda, garantidamente que deveria ter bebido mais.
A subida de Gouveia fez moça. Pedia encarecidamente que dispenso a ajuda do vento pelas costas se ele tiver que soprar pela frente também, mas este pacto não se deu e entre o sopro do vento na cara e o calor de se fazer sentir quando ele parava, ia curvando e cotnra curvando subida acima, num deserto de trafego de se ver.
Estava entregue à estrada e a toda a serra em meu redor.
Fui abastecendo água onde podia e podia ter abastecido mais numa destas fontes a meio da subida. Erro craço.
Menosprezando a distância, acabei a racionar o que lógicamente nunca é bom sinal (e fez-se sentir no esforço maior que o habitual).
Finalmente chegado ao topo, páro onde o Mondego nasce. Refrescante e pura como mais pura náo pode ser esta água.
Agora era rolar um pouco para pouco depois descer até Manteigas, desta vez sem o atalho. Estava decidido a realizar a descida original integral.
No final ficam 104 km para 2.615 de desnivel acumulado numas belas 5h24 em cima da bicicleta.
Castigador.
Ficam as habituais dúvidas: a recuperação do dia anterior (nem carreguei no ritmo que justificasse cansaço mas pode ter deixado mazelas), a alimentação do dia anterior (pizza ao jantar, muita pizza), a noite intranquila de sono, o ter subido à Torre antes de tudo o resto (não é muito habitual ppis costuma ser a última demanda das voltas), o vento, o calor, eu sei lá. No fundo, em cima da bicicleta pensa-se muita coisa e faz-se por não pensar em nada para não nos deixarmos levar pelos fantasmas que podem prejudicar desempenhos.
Depois fora da bicicleta, pensam-se e analisam-se todas estas coisas e muitas outras mas como é dificil tirar conclusões, eu por mim, sigo adiante.

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