11/06/2026
Ciclismo
Vai o junho bem entrado e com os seus feriados para ajudar.
O vento voltou pitra vez em força e chateia que se farta quem como eu quer pedalar e desfrutar.
Entre mais um treino e menos um treino, chegou a hora de rumar a terras da Estrela para o habitual estágio em altitude.
Que se lixe tudo o resto que o que eu gosto mesmo é de pedalar e neste local, mais sova menos sova, é sempre com um gostinho especial.
Esta serra, este ambiente, este ar puro, esta tranquilidade sáo inspiradoras. As subidas longas e duras, um desafio que se quer.
O dia zero, o da chegada, só aumenta mais e mais o bichinho que vem burbulhando dentro já há dias. Instalar, preparar tudo para o dia seguinte, dar uma volta pela localidade, fazer umas compras de mantimentos e jantar. Tudo dentro da maior tranquilidade e paz. A serra por esta altura é tão calma e tranquila que contagia com o seu pulsar em regime de repouso.
O dia 1 chega anunciado pelo despertador. Mais bem dormido ou nem por isso (há sempre uma ansiedade em segundo plano, há sempre o estranhar o leito do sono), o ritual é sempre o mesmo: higiene, pequeno almoço, ultimar preparos da bicicleta, equipamento e mantimentos.
As dúvidas (sempre as dúvidas e não há quem as não tenha: a roupa, qual levar, a alimentação e a nutrição chegam? a biclcieta está ok e nãio vai falhjar? e as pernas?) dão lugar às primeiras pedaladas.
As primeiras pedaladas dão lugar a uma excitação rejubilar.
A primeira subida, mesmo aquela que fica logo à saida de casa e ainda nem conta para as contas, antecipa logo a dureza do treino.
Faz parte, faz tudo parte..
Está uma manhã fresquinha mas percebe-se que vai aquecer. O corta-vento vai no bolso porque lá em cima nunca se sabe.
A serra é perita em pregar partidas.
Se na semana anterior telefonei para os serviços locais para saber se a estrada do Vale Glaciar estava em funcionamento ao que me responderam afirmativamente, a outra estrada, a 232, que sabia cortada ao trânsito, traszia um desvio "transitável".
Pois sim, mas náo propriamente para bicicleta de estrada. Ao principio, uma terra batida que depois se torna salpicada de pedras e lages, inclinando a cada curva para uns percentuais bastante ingremes.
Não havia nada a fazer senão continuar mas aquilo que pensava ser um pequeno troço, tornou-se um calvário um pouco maior.
Um pneu novo colocado chorava de amargura por este piso assim como eu e as minhas pernas.
Superado este desafio, veio a descida já em estrada "normal" e com ela o vento. Um castigador que me cansou mais do que a subida. Um sofrimento até Gouveia que me trouxe mais um par de dúvidas assomadas à cabeça: se aqui estava assim, como estaria na Torre e como seria de lá descer.
Quando cheguei a Seia, parecia que ainda mal tinha começado. Contudo, a saida desta localidade em direcção ao Sabugueiro dá logo aquela dentada para relembrar que doravante, a coisa piava fininho.
Sempre a subir com os cantis atestados e vontade fincada.
A beleza da paisagem, o som da fauna local,embalavam-me para uma pedalada tranquila e ritmada e a cabeça viajava, só despertando de quando em vez por um ou outro curso de água que jorravam serra abaixo.
Curiosamente foi toda uma manhá num estado mental irreal. Não me senti em mim senão nos encontros com outros ciclistas que fui apanhado e no final quando as pernas quiserem entrar como artistas principais nesta história.
Na Torre não houve a habitual foto porque o telemóvel estava sem carga (erro craço e não permitido de todo!).
Descer para o lado de Manteigas foi tranquilo mas a ser bombardeado por insectos kamikase que se estampavam no meu capacete, óculos e cara.
Contas finais:
103 km
2.600 altimetria
4h53 (para náo dizer que foram 5h)
O que foi ao lume:
2 sandochas de paio
1 banana
1 punhado de nozes
1 fatia de bolo seco caseiro
2 bidons de água (1,5L)
1 bidon de isotónico
O calor apertava de quando em vez mas esteve sempre bem suportável.
Uma boa manhá e uma boa tarde de recuperação com as perna de molho e o resto do corpo também